“Fazer o bem surpreende a ponto de se desconfiar de todos, o que é uma forma de premiar a turma do mal”

Wilder e crianças de creche onde ele realiza trabalho de assistência social muitos anos antes de entrar para vida pública, fato que aconteceu em 2011

A Rádio 730, em seu editorial de hoje, sai em defesa do senador Wilder Morais, em relação a matéria veiculada Agência Estado e em O Popular, apontando que o parlamentar estaria usando dinheiro público para ajudar entidade filantrópica.

O respectivo dinheiro (R$ 3 mil) na verdade custeia o aluguel do escritório de Goiânia. Isso está de acordo com o ato da comissão diretora do Senado Federal, nº16 de 2009, que diz que todo parlamentar tem direito a um escritório de apoio às atividades parlamentares fora das dependências do Palácio do Congresso, localizado em seu Estado de origem.

O dinheiro do aluguel, pertencente a Waldo Caetano, é doado por este a uma entidade filantrópica, isso a pedido de Waldo, o que está documentalmente registrado.

Leia a íntegra do editorial.

Fazer o bem surpreende a ponto de se desconfiar de todos, o que é uma forma de premiar a turma do mal

Clique para ouvir

Empreiteiro é profissional execrado. A imagem ruim é atrelada à repercussão dos trambiques com obras públicas. É um festival interminável de licitações fraudulentas, aditivos inexplicáveis, construções ruins para sobrar dinheiro de pagar propina, entre outras modalidades de corrupção. Mas nem todo empreiteiro é pilantra e culpar os inocentes é uma forma de absolver os criminosos.

Nesta segunda-feira, reportagem de agência divulgada em diversos jornais é injusta com dois engenheiros que também são empreiteiros, mas pertencem à turma do bem. Waldo Caetano e Wilder Morais vieram de famílias paupérrimas e se conheceram na faculdade. Quando se formaram, viraram sócios numa firma que não faz obras públicas. Wilder e Waldo ficaram ricos pelos próprios méritos, sem um tostão do erário, e dividem sua renda com famílias carentes. Sem qualquer publicidade, bancam dezenas de projetos sociais. Incentivam o empreendedorismo financiando ideias de quem é talentoso, mas não dispõe de capital. Até 2010, ambos eram completamente anônimos até que um deles se rendeu à política, mesmo advertido pelo outro de que não era o seu mundo.

Por sua história de sucesso pessoal, Wilder entrou na chapa de Demóstenes Torres, que concorria à reeleição para senador. Demóstenes foi cassado e Wilder saiu da suplência diretamente para os holofotes. Na política, uma das formas de manter os bandidos na carreira é afugentar os honestos. Para um facínora, é indiferente ter a honra enxovalhada, mas a pessoa de bem prefere desistir se o preço é sujar-lhe o nome. Jogar lama no íntegro ajuda a limpar o indigno. Foi esse mundo imundo que atraiu Wilder. Manchar sua reputação é um jeito de fazê-lo desistir e deixar a política para quem de direito, ou seja, os ladravazes.

Mas não. A política não é território exclusivo de salteadores. É necessário que gente como Wilder participe da política. E quem vota tem de reconhecer em Wilder um vencedor, um exemplo de quem sobe na vida à custa dos próprios esforços e da própria competência. Mais gente igual a Wilder tem de se filiar a partidos políticos e se candidatar. Mais gente igual a Waldo tem de acreditar que a política não é reino somente de malfeitores.

No caso específico da reportagem, a denúncia é que Wilder está repassando a moradores de rua a verba com a qual o Senado paga aluguel de escritório de parlamentares. O imóvel pertence a uma empresa cujo dono é Waldo, que poderia gastar a locação com o que quisesse. Mas preferiu doar a uma associação que compra alimentos para moradores de rua. Uns quando veem os mendigos mudam de calçada. Waldo e Wilder fazem o contrário, distribuem comida. Está aí o crime dos dois, olhar pelos invisíveis, cuidar dos maltrapilhos. Waldo e Wilder também juntam os amigos e constroem creches. Para sustentar as crianças, eles fazem prédios, doam para entidades, que os alugam. As crianças ficam com abrigo, alimentação e funcionários, todos pagos com a iniciativa de Wilder, Waldo e outras pessoas do bem. Sem um centavo sequer dos cofres públicos.

Eis um dos perigos da generalização. Dizer que todo empreiteiro é corruptor, que todo político é corrupto, que toda ação social embute um embuste. Negativo. Ainda existe gente que presta na engenharia e na política como existe gente que não presta nas demais atividades. A torcida das famílias beneficiadas pelos projetos de Waldo e Wilder deve ser para eles não desistirem da filantropia por causa da má-fé dos que se acostumaram com pilantropia.