“Democracia deve ser exercida com inteligência”

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Esta declaração é do senador Wilder Morais sobre as manifestações populares ocorridas nos últimos dias, em diálogo com o diretor de redação do jornal “O Repórter”, Carlos Tolêdo. A entrevista foi publicada na edição desta semana 

Me sinto orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças

Sobre as manifestações populares ocorridas nos últimos dias, nosso diretor de redação, Cárlos Tolêdo, esteve em um diálogo franco com o senador goiano Wilder Morais (DEM-GO), que diz achar ‘louvável” essas manifestações de protesto que acontecem em todo o país contra os mais variados motivos. Para o parlamentar, esse clamor que vem das ruas é uma “prova de que o País está vivendo uma democracia plena”. Em relação aos manifestantes que têm destruído patrimônio público e privado, Wilder diz que esse grupo é bem menor do que os manifestantes pacíficos e que os baderneiros precisam ser contidos em suas ações de vandalismo, pois estas geram descrédito nas reivindicações. Segundo o senador, “o uso da violência não é uma modalidade de ação compatível para um país que tem uma democracia forte como a nossa.”

Sobre a reunião promovida pela presidente Dilma com os governadores, dia 25, o senador achou-a positiva, mas observa que “o povo está cansado das soluções verbais.” Wilder se diz “orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças.”

Para ele, mais urgente que uma reforma política “é o cumprimento das leis já existentes, mas principalmente a realização de políticas em setores essenciais como saúde, educação, segurança, transporte urbano, entre outros.”

O senador Wilder Morais, além de opinar sobre as manifestações de protesto nas ruas, emitiu outras opiniões ao nosso diretor Cárlos Tolêdo, sobre a palavra da presidenta Dilma, sobre violência e arruaça, redes sociais e reforma política. Veja a seguir os tópicos com as declarações.

Manifestações de protesto nas ruas

Esse grito de descontentamento que vem das manifestações de todos os cantos do Brasil é muito louvável, pois prova que o País está vivendo uma democracia verdadeira. Me sinto orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças. Entendo que essas manifestações devem ser realizadas de modo pacífico, que elas sejam exercidas de modo inteligente, o que gerará mais força ainda nas reivindicações. Essas manifestações representam um momento novo na história do Brasil; e o poder público de modo geral, sobretudo os representantes do poder executivo de todas as instâncias, devem ouvir esse grito de repúdio. O povo está pedindo (e ele deve ser atendido o mais rápido possível) mais segurança, mais saúde, educação de qualidade, mais competência na aplicação do dinheiro público. O povo se cansou das soluções verbais apresentadas pelo poder público para solucionar os inúmeros problemas sociais e econômicos que se arrastam há décadas. O povo quer ação prática. O que está pedindo é um direito constitucional seu.

Palavras da presidente Dilma

Entendo como importante a presidente Dilma se reunir com governos, prefeitos e líderes dos protestos para buscar solução coletiva para os problemas mais diversos e citados nas manifestações por meio de faixas e cartazes. Essa conjugação de esforços é salutar. Só que os frutos práticos têm de acontecer o mais rápido possível. Mais importante que dizer que o governo federal está atento às vozes democráticas que exigem mudança é promover essa mudança reivindicada, principalmente pelo fato de que está nas mãos da União o controle de um grande volume de recursos financeiros. Vale dizer que 72% das receitas advindas do bolo tributário arrecadado no País vão para os cofres da União, enquanto os 28% restantes ficam para os municípios e estados. Há tempo o país vinha desejando uma mudança de paradigma. E essas manifestações é a materialização desse desejo.

Violência e arruaça

As pessoas que estão recorrendo a atos de violência nas manifestações, depredando patrimônio público e privado, não podem ser levadas a sério nessas manifestações. Recorrer à arruaça e violência é vandalismo. E vandalismo, como sabemos, não possui nenhuma bandeira política. Essa nova página histórica que está sendo construída no Brasil não pode ser escrita com baderna e desordem. Ainda bem que a quantidade dos manifestantes que estão recorrendo à violência e à desordem é bem menor do que aqueles que agem de modo pacífico. Os desordeiros precisam ser contidos. Recorrer a atos de desordem e destruição de bens públicos e privados não é uma ação compatível para um país que tem uma democracia forte como a nossa.

Redes sociais

Essas manifestações em todos os cantos do País é uma grande prova de que as redes sociais, no caso Facebook e Twitter, são uma grande ferramenta de mobilização popular. E é uma tendência mundial. Exemplo desse poder mobilizador pode ser comprovado nas manifestações políticas no Oriente Médio em 2010, conhecidas como Primavera Árabe. Pode-se dizer que as redes sociais tiveram grande peso para essa nova geopolítica vivida agora naquela região, marcada por nações que viveram por décadas sob regimes autoritárias.

Reforma política

Sou favorável a uma reforma política bem ampla, que contemple a unificação das eleições. O fato de haver eleições de dois em dois anos gera custo muito alto ao País. Mais urgente que uma reforma política é o cumprimento das leis já existentes, mas principalmente a realização de políticas em setores essenciais, como saúde, educação, transporte urbano. Na verdade, esse grito que vem da rua é o povo externando seu descontentamento com a falta de políticas públicas nos setores mencionados. Outra deficiência a se apontar é a falta de planejamento.

Pelo Brasil afora há obras de grande importância econômica e social paralisadas, que é o caso da transposição do Rio São Francisco, conclusão da Ferrovia Norte-Sul, iniciada em 1987. As obras do novo aeroporto de Goiânia, por exemplo, foram interrompidas em 2007.