Wilder Morais: “Brumadinho foi uma tragédia anunciada”

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O senador Wilder Morais (DEM) fez parte da Comissão de Serviços de Infraestrutura que, em 2015, visitou Mariana para verificar os danos da tragédia ambiental naquela cidade devido ao rompimento da barragem do Fundão da Mineradora Samarco.
Na época o senador cobrou a imediata aprovação na Câmara dos Deputados do Código de Mineração. Em 2019, pouco mais de três anos da tragédia em Mariana, foi a vez da barragem da Mina do Feijão, localizada em Brumadinho, também em Minas Gerais, se romper.
A lama com os rejeitos de minério atingiu o parque administrativo da empresa Vale do Rio Doce e parte da Vila Ferteco, o que resultou na morte de nove pessoas e centenas de desaparecidos. Mas o número de vítimas ainda pode aumentar substancialmente.
Para o senador Wilder Morais, foi uma tragédia anunciada e, por isso, com possibilidade de ser evitada, com a aprovação do Código e de medidas então sugeridas pela comissão.

O senador enumera algumas ações que foram desenvolvidas na época, sendo que, ainda em novembro de 2015, poucos dias após voltarem da visita, no dia 24, pouco depois de voltarem da visita a Mariana, foi realizada uma audiência pública sobre o assunto na subcomissão da CI, na qual a chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Mônica Von Huelsen, afirmou que os tremores de terra ocorridos no local uma hora antes do rompimento das barragens não foram a causa do desastre. Ou seja, o incidente não teria sido motivado por fenômenos naturais, mas sim por uma provável falha na própria barragem.
No dia 14 de dezembro, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) também realizou uma audiência pública para discutir a responsabilização dos causadores da tragédia de Mariana e as medidas preventivas que deveriam ter sido tomadas. “Porém, apesar de todas essas ações, tudo ficou apenas na comoção, porque quase quatro anos passados e nada foi feito”, lamenta o senador.
Com essa nova tragédia, o senador goiano espera que seus pares que continuarão no Senado, possam cobrar do governo medidas mais eficazes de fiscalização, regulamentação e rigor na concessão de licenças para a renovação desse tipo de obra.
Segundo dados do Relatório de Segurança de Barragens de 2017, publicado no ano passado, a Agência Nacional de Mineração (AMN) é responsável pela fiscalização de 790 barragens de rejeito espalhadas pelo País. O trabalho de fiscalização, porém, limitou-se a apenas 211 vistorias ocorridas em 2017, o que equivale a 27% dessas instalações. Como político do Estado de Goiás, o senador pretende continuar a luta pela mudança de postura em relação a esse tipo de questão do Brasil.
“É inaceitável que pessoas continuem a morrer por falta de atenção sobre esses empreendimentos. Mariana deveria ter nos ensinado algo, mas pelo visto foi mais uma fatalidade em vão”, desabafou o senador. E a preocupação de Wilder Morais não é infundada já que levantamento de 2017 traz uma lista de 45 barragens que, segundo 13 órgãos de controle, teriam situação preocupante, “por possuírem algum comprometimento importante que impacte a sua segurança”. O mais preocupante é que a barragem de Brumadinho, da Vale, não estava nesta relação, não tendo sido sequer citada no relatório.