Diário da Manhã entrevista o senador Wilder Morais

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Entrevista publicada pelo jornal Diário da Manhã — 5 de junho de 2014

 

Senador do DEM diz que o governador caminha para conquistar a reeleição, em 5 de outubro, por empreender um governo com transformação econômica, avançado programa de infraestrutura e criativos organogramas de inclusão social

O senador Wilder Morais (DEM) diz que o governador Marconi Perillo (PSDB) reúne todas as condições para conquistar a reeleição em 5 de outubro, já que conta com uma sólida e robusta base eleitoral e alcança expressivos resultados na gestão administrativa. “Marconi vive um momento de seu governo em que o gestor sobressai ao político. Na verdade, esse perfil de gestor e algo que se destaca nele como chefe do Executivo, e que foi possível promover  uma grande e destacada transformação econômica no Estado. Essa lado técnico e gerencial de Marconi é, portanto, seu grande trunfo para enfrentamento das eleições bem singulares deste ano.”

O líder da minoria no Senado Federal lembra que, pelo afora, “há inúmeras obras de grande importância econômica e social em fase de construção, muitas inclusive já inauguradas; e é isso que os eleitores querem de seus governantes”. E acrescenta: “O momento atual, no entanto, é de puro céu de brigadeiro para a reeleição de Marconi. E pelo que as circunstâncias mostram, tudo caminha para esse cenário de consolidação da reeleição continue até o dia decisivo das eleições.”

Por outro lado, Wilder não vê um horizonte favorável à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT): “Não torço para que o pior ocorra em seu governo, mas não vejo um cenário agradável para sua reeleição. Fato contrário à situação de Marconi: pela predominância de atividades técnicas e gerenciais de seu governo justamente neste momento de turbulência política, onde o descontentamento dos eleitores nunca esteve tão em destaque.” O senador goiano sustenta que, se o ritmo da administração federal estivesse igual ao da administração de Goiás, que “é um canteiro de obras”, certamente a presidente Dilma não estaria vivendo o tormento que vive, “a ponto de nem poder fazer aparecimento público.”

Filho de costureira e lavrador, nascido em Taquaral, Wilder Morais trabalhou muito para ser um profissional vencedor, empresário competente e um político idealista. “Esse ambiente de harmonia familiar me foi muito importante na lapidação do meu caráter.” É formado em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Goiás, hoje PUC-GO, cujo curso foi custeado por “Crédito Educativo”. Depois de entrar em uma empresa com estagiário no primeiro mês de curso, deixou a construtora como diretor-presidente aos 26 anos de idade. Ao lado de dois colegas de cursos, fundou a Construtora Orca, que, nos últimos 15 anos, constrói e desenvolve projetos exclusivamente para a iniciativa privada.

Chegou ao Senado da República como suplente do senador Demóstenes Torres, cassado em 2012. Antes ocupara a Secretária de Infraestrutura, a convite do governador Marconi Perillo, cargo que ocupou por 17 meses.

DM – Que leitura o senhor faz do cenário político de Goiás para a reeleição de Marconi? Está céu de brigadeiro?

Wilder Morais – O otimismo é algo essencial em tudo na vida, mas, ao sairmos de casa, é bom levar um guarda-chuva como precaução. Em política, as circunstâncias mudam muito rapidamente, cada momento tem a sua leitura. O momento atual, no entanto, é de puro céu de brigadeiro para a reeleição de Marconi. E pelo que as circunstâncias mostram, tudo caminha para que esse cenário de consolidação da reeleição continue até o dia decisivo das eleições.

DM – Que circunstâncias são essas que o senhor diz que podem consolidar a reeleição de Marconi?

Wilder Morais – Os chefes do Executivo, seja da esfera federal, estadual ou municipal, possuem dois perfis: um político e outro técnico. Os que tocam seu governo com predominância do viés político como sempre cometem o erro muito frequente: realizar uma administração fraca, de pouco avanço desenvolvimentista, visto que há predominância de decisões político-partidárias em atividades que exigem ações técnicas e gerenciais. Marconi vive um momento de seu governo em que o gestor sobressai ao político. Na verdade, esse perfil de gestor é algo que se destaca nele como chefe do executivo, e que lhe foi possível promover uma grande e destacada transformação econômica no Estado. Esse lado técnico e gerencial de Marconi é, portanto, seu grande trunfo para enfrentamento das eleições bem singulares deste ano.  Pelo Estado a fora, há inúmeras obras de grande importância econômica e social em fase de construção, muitas inclusive já inauguradas; e é isso que os eleitores querem de seus governantes.

DM – Essa singularidade das eleições deste ano que senhor menciona está em que propriamente?

Wilder Morais – Em junho do ano passado, quando em São Paulo a passagem de ônibus saiu de R$ 3,00 e foi a R$3,20, isso deu início às manifestações de rua. A partir de então, as manifestações chegaram a todos os estados e os motivos de protestos foram os mais variados. E agora, às vésperas dos jogos da Copa do Mundo, elas voltaram acontecer, inclusive para protestar contra o evento esportivo. Inclusive ressalto que tem havido um exagero nos protestos, que têm saído do viés pacífico e chegado a atos de violência, que devem ser punidos. Estamos vivendo uma democracia plena e isso permite a todos as suas manifestações de protesto, não manifestações de destruição como temos assistido. É preciso respeitar o direito dos brasileiros que gostam de futebol. A Copa em si não tem nada a ver com o estado de paralisia do governo.

Essa singularidade a que me refiro é que agora temos uma massa de eleitores muito revoltada com os políticos, e ela pode colocar todos políticos na vala comum e se abster de votar, quando, na verdade, esse tipo de raciocínio não é o acertado, visto que não resolve os problemas que fazem os protestos acontecerem. Quando se trata de eleitores indecisos, é mais fácil lidar nesse terreno, pois os indecisos não têm uma posição fechada da não-participação eleitoral, eles apenas não sabem ainda em quem voltar. Obras a mostrar, coisa que a presidente Dilma não tem, são os únicos argumentos a serem usados para o convencimento do eleitor. Tivessem elas acontecendo, não veríamos a população indo para as ruas protestar.

DM – Que cenário o senhor vê para a reeleição da presidente Dilma?

Wilder Morais – Quando fazia parte da equipe de ministros do ex-presidente Lula, a presidente Dilma tinha um perfil de gestora, inclusive, numa jogada de marketing, ela até foi apontada como “Mãe do PAC”, e isso, de certa forma, e acabou funcionando. Só que funcionou apenas para vencer a eleição, pois, na prática, não é o perfil de gestora que sobressai na sua administração. Há uma certa paralisia em seu governo, que vem sendo gerido por um certo improviso. Além de atraso em suas principais obras, pesa ainda contra parte delas a majoração de seus custos. Vale observar ainda que seu governo investiu US$ 1 bilhão no porto Mariel, que fica em território brasileiro, mas sim em Cuba. E improviso é imaturidade gerencial. As decisões de seu governo não têm sido guiadas por atividades técnicas e gerenciais. Não torço para que o pior ocorra em seu governo, mas não vejo um cenário agradável para sua reeleição. Fato contrário à situação de Marconi: pela predominância de atividades técnicas e gerenciais de seu governo, justamente neste momento de turbulência política, onde o descontentamento dos eleitores nunca esteve tão em destaque. Se o ritmo da administração federal estivesse igual ao da administração de Goiás, que é um canteiro de obras, certamente a presidente Dilma não estaria vivendo o tormento que vive, a ponto de nem poder fazer aparecimento público.

DM – O senhor foi secretário de Infraestrutura no governo Marconi de 2011 a julho de 2012. O que lhe foi possível realizar nesse período à frente da Pasta?

Wilder Morais – Ao me convidar para o cargo, o governador me disse que queria de mim uma ação técnica no setor de infraestrutura, principalmente na área de rodovia, que estava muito danificada, devido ao abandono do governo anterior. Aceitei, e assim, juntamente com a Agetop, começamos a mapear os quase 25 mil quilômetros da malha rodoviária do Estado, que tem 52% pavimentada. Desse mapeamento,  surgiram o Programa Rodovida e o Fundo de Transportes, este criado para custear os custos da recuperação. Não fosse esse planejamento estratégico exigido pelo governador, Goiás não estaria executando hoje o maior programa no Brasil de construção, recuperação e manutenção de rodovias: mais de cinco mil quilômetros de rodovias recuperadas e mais dois em fase de conclusão. A retomada da obra da ponte de Cocalinho, que liga Goiás a Mato Grosso, foi outro pedido que o governador me fez. Enquanto secretário de Infraestrutura, retomei a construção da ponte, inclusive fui algumas vezes ao local para ver o andamento da obra. Obra esta a ser inaugurada por estes dias e que terá grande importância socioeconômica para a Região do Vale do Araguaia no escoamento de gado de corte e grãos e também para o desenvolvimento do turismo ecológico.

DM- Como tem sido a sua atuação como líder do bloco da minoria no Senado?

Wilder – Mesmo antes de assumir a liderança do bloco da minoria, eu vinha atuando de maneira lúcida, sem permitir que questões partidárias guiassem minhas ações na Casa. Torcer para o pior da administração federal é torcer contra o Brasil. Essa linha de ação não bate com o meu perfil político. Entretanto, não tenho fugido de minha obrigação parlamentar de apontar os erros constantes do governo. Estou no Senado para travar uma luta de ideias para o melhoramento do País e não para marcação territorial político-partidária. Minha crítica ao governo pelas constantes falhas de sua administração, que não prioriza o planejamento e nada faz para combater os três gargalos do custo Brasil, no caso carga tributária elevada, burocracia excessiva e carência de infraestrutura, visa ajudar na construção do Brasil e não na destruição do governo.

DM – Por que o senhor votou contra a Medida Provisória 630/2013?

Wilder Morais – Veja como é o improviso! Primeiro criou-se o RDC  (Regime Diferenciado de Contratações) para atender as obras ligadas à Copa e aos Jogos Olímpicos 2016, lembrando que muitas  obras da Copa só serão concluídas após os jogos. Essa Medida, em sua redação original estendia a aplicação do RDC às obras de reforma e ampliação de presídios e unidades de internação para adolescentes, mas, na relatoria da senadora Gleisi Hoffmann, o RDC passou a atender a todas as licitações.  O bom senso felizmente prevaleceu, e a Medida foi recusada pelos senadores oposicionistas e até por alguns governistas. Se tivesse definido um número menor de sedes, coisa que só agora o ministro Gilberto de Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, assumiu, e o início das obras tivessem ocorrido praticamente às vésperas da Copa, teria dado tempo de se realizar todas as obras sem se criar o RDC, que acabou não funcionando.

DM – A presidente Dilma inaugurou recentemente, em Anápolis, a primeira etapa da Ferrovia Norte-Sul. Qual a importância desse modal logístico para Goiás.

Wilder- Mesmo sem recorrer ao uso de ferrovia para escoamento de sua produção, Goiás vem ocupando um papel de destaque no cenário nacional em crescimento. O que foi possível devido a uma política arrojada de desenvolvimento empregada no Estado nas últimas duas décadas, sobretudo nas gestões do governador Marconi. Duas décadas atrás,  o PIB de Goiás era de apenas R$ 13 bilhões, em 2013 chegou a 133 bilhões. Devemos, sim, comemorar a inauguração da primeira etapa da Ferrovia Norte-Sul, ocorrida após 25 anos do seu início. Agora vem a etapa dos trens circularem nas ferrovias, o que não pode demorar como ocorreu na instalação dos 855 quilômetros de trilhos de  Palmas (TO) a Anápolis (GO).  Era para essa ferrovia estar funcionando há muitos anos. Faltou vontade política do governo federal nesse sentido. O modal rodoviário é inapropriado para escoamento de produção. Há problemas nos portos, mas o maior gargalo logístico é a maneira da produção chegar aos portos. É contraproducente nos valermos de caminhões para percorrer longas distâncias por todo o País no transporte de nossa produção agrícola e mineral. Goiás vai dar um grande salto desenvolvimentista quando os trens passarem a ser o modal logístico de escoamento de nossa produção, pois o custeio no transporte será bem menor, o que refletirá em maior poder de competitividade.