“Não adianta sair por aí xingando os políticos como muita gente faz”, pondera Wilder Morais

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Entrevista publicada pela Revista Brasil Política

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O senador goiano Wilder Morais (PP), 47 anos, recém-empossado como presidente do Partido Progressista, diz que, sem estudar, ele jamais teria se tornado um empresário de sucesso da área da construção civil e chegado ao Senado. Natural de Taquaral de Goiás, cidade a 80 quilômetros de Goiânia, Wilder teve a  infância e a adolescência marcadas por muita pobreza. Com muita luta, conseguiu se formar em Engenharia Civil pela então Universidade Católica de Goiás. Trabalhou como engenheiro alguns anos e abriu o seu próprio negócio, que hoje é o Grupo Orca.

Estreou na vida político-partidária como suplente do ex-senador Demóstenes Torres em 2010. No ano seguinte, a convite de Marconi, foi secretário de Estado de Infraestrutura, função que deixou quando assumiu o Senado, diante do afastamento de Demóstenes. Em entrevista exclusiva à Revista Brasil Política, o senador Wilder fala sobre as eleições de 2018, gargalos do país, impeachment, entre outros assuntos. Confira.

BP – O senhor se filiou ao Partido Progressista (PP). Por que a saída do Democratas (DEM) e quais as expectativas na nova casa?

Wilder Morais – Todas as nossas escolhas na vida demandam de nós um caminho para se chegar a elas. E nessas escolhas, o bom senso deve guiar as nossas ações, pois, do contrário, corremos

o risco da frustração. Minha saída do DEM não foi motivada por desavença com algum membro do partido. Tenho um respeito e admiração por todos. Foi tão-somente uma ação pragmática para eu buscar a viabilização da minha permanência na vida política enquanto parlamentar. Sei que 2018 ainda está longe e que muita coisa pode acontecer até lá, mas sinto que é necessário desde já dar início ao trabalho de criar um cenário político mais apropriado ao que busco, mas isso em sintonia com todos os companheiros progressistas, de modo a trabalhar também pela concretização do projeto político deles. Meu ingresso ao PP é motivado pela determinação de ajudar a somar e a trabalhar pela unidade do partido, que tem uma história importante de ações em favor do Estado de Goiás.

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BP – Sua nomeação como presidente estadual do Partido Progressista já se consolidou. Como foi o seu primeiro dia de expediente na sede do partido, ocorrida na tarde do dia 28?

Wilder Morais – Fiquei muito emocionado com o número de pessoas presentes em minha primeira reunião no PP. O auditório ficou pequeno para o volume de pessoas lá presentes, entre elas o deputado federal Sandes Júnior (PP), o deputado estadual Tales Barreto (PTB), o diretor-técnico do Detran João Balestra, muitos prefeitos e vices, lideranças jovens de vários municípios, entre outros. Muitas fizeram uso da palavra e enalteceram a minha chegada ao partido. Houve também muitas filiações. E na noite do mesmo dia, fui a Trindade, onde recebi outra acolhida calorosa dos pepistas da cidade, que lotaram o auditório do Rotary Clube de Trindade. O prefeito da cidade, Jânio Darrot, ressaltou que tenho sido um senador que tem dado uma atenção especial com o município, isso pelas emendas por mim destinadas para lá. Em síntese, posso dizer que estou muito entusiasmado com a nova rotina política como presidente do PP, e que me dedicarei com muita intensidade para o crescimento do partido, de modo a torná-lo uma unidade legítima, em que todos membros tenham voz ativa na sigla.

 BP- Sobre 2018, a campanha de reeleição para o Senado já é uma realidade ou há outros projetos políticos em análise?

Wilder Morais – Não há plano b. Minha meta essencial é buscar a reeleição ao Senado. Estou trabalhando determinadamente na construção do caminho para chegar a esse objetivo, mas volto a dizer que 2018 ainda está longe. Sei das dificuldades existentes nesse percurso político, mas perseverança em mim é algo em abundância. Além do meu projeto político, me empenharei também na realização dos projetos dos companheiros de partido. Unidade partidária é isso: todos movidos pelo mesmo objetivo.

BP- De origem humilde, se tornou um empresário de sucesso e agora se consolida na carreira política. De que forma acredita que o bom desempenho no setor privado possibilita conquistas na vida pública?

Wilder Morais – As conquistas das pessoas na vida pública podem decorrer de ações realizadas tanto no setor privado como no público. É o que pessoas são, seja como agente público ou privado, é que vai ajudá-las a alcançar as conquistas. Lógico que isso foge à regra em muitos casos, e assim muitas pessoas têm conseguido viabilizar uma carreira política sem ter um histórico de vida realmente marcado por um bom desempenho profissional. Penso que, no meu caso especificamente, a minha história de vida como empresário, que foi marcada por muitas dificuldades, pode me ajudar nesse sentido.

BP- Quais são os principais gargalos que identifica em nosso país e que propostas teria para melhorar a situação?

Wilder Morais – O custo Brasil tem três vilões que estão impedindo o desenvolvimento do país. Esses vilões se chamam carga tributária elevada, burocracia excessiva  e carência de infraestrutura. O governo federal, infelizmente, perdeu o controle o país. Ele não elege prioridades. O combate a esses três vilões deve ser a ação prioritária do governo, o qual, conforme estamos vendo, está sem norte em sua gestão e com isso o Brasil anda se encolhendo economicamente. Há uma iminência de caos econômico rondando o país. Sobre a nossa elevada carga tributária, há outro aspecto ruim nisso: pela quinta vez consecutiva o Brasil está um último lugar como o pior em retorno dos tributos à população.

BP – O Brasil atravessa uma séria crise político-econômica e, impaciente, parte da população e também da classe política pedem o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. O senhor é contra ou a favor da saída da petista? Por quê?

Wilder Morais – Impeachment é algo sério. Feliz é o país que pode empregá-lo, pois ele só é possível em nações com democracia madura. O impeachment, no entanto, não pode ser empregado por motivação subjetiva. Sua aplicação tem de ser amparada em fatos concretos, bem legitimados pelos órgãos investigadores. O que destaco mesmo é que ninguém pode estar acima da Constituição. Havendo comprovação de crime eleitoral ou outro tipo de crime que provoque a necessidade de impeachment, o Brasil deve (e precisa) mostrar sua solidez constitucional.

BP – Os casos de corrupção estão em evidência. Com isso, cai a confiança no atual governo e, paralelamente, na política de forma geral. Em sua opinião, é mesmo possível separar o joio do trigo e reestabelecer a credibilidade da política brasileira ou estamos distantes de colocar a casa em ordem?

Wilder Morais – Esse descrédito popular por que passa governo federal é essencialmente resultado desses casos de corrupção ocorridos no país, sendo o da Petrobras o mais grave deles. Nunca o Brasil esteve em evidência tão negativa como agora. A tarefa de separar o trigo do joio está essencialmente nas mãos do povo. Cabe a ele ser mais seletivo em suas escolhas eleitorais, ser mais curioso em relação aos políticos que elege para representá-lo. Não adianta sair por aí xingando os políticos como muita gente faz, colocando-os na mesma vala, pois nem todos políticos são joio. Em vez de se afastarem da política do país, o povo deve se engajar. A definição do filósofo Bertolt Brechet  sobre o analfabeto político cabe perfeitamente neste contexto das palavras. Não há como não participar vida política do país. Afinal “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.

BP – Nosso país é tachado pela burocracia e alta carga tributária. Qual o caminho possível para um Brasil mais competitivo?

Wilder Morais – Esse dois vilões, conforme mencionei anteriormente, fazem parte do custo Brasil. Sem priorizar ações que os combatam eficientemente, não alcançaremos competitividade. E aqui entra também o outro vilão, que é a falta de infraestrutura. É inconcebível, o Brasil não ter uma malha ferroviária cortando o país de fora a fora para escoamento de suas commodities agrícolas e minerais. A Ferrovia Norte-Sul foi iniciada na década de 80 e até hoje não foi concluída. O Brasil está na contramão do desenvolvimento.

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BP – O senhor é autor de projetos de lei que incentivam a maior utilização de fontes renováveis para a geração de energia. Quais são as ideias principais?

Wilder Morais – O Brasil está na contramão do progresso ao não explorar de maneira mais intensa suas fontes renováveis, essencialmente a luz solar e vento, que são abundantes no país o ano inteiro. A Alemanha, um país que não tem a incidência de sol como o Brasil, produz mais energia fotovoltaica do que nós. O impacto ambiental vindo das fontes renováveis é nada perto  do provado pelas fontes de energia vinda da queima de combustíveis fósseis, que produzem de dióxido de carbono e outros gases geradores do efeito estufa. O Brasil tem essa alternativa em seu quintal de ficar sem depender de combustíveis fósseis para geração de energia elétrica. Só está precisando agir, acompanhar a modernidade, promover a sustentabilidade.

Entre os inúmeros projetos de lei por mim apresentadas estimulando a utilização de fontes renováveis, o de maior destaque é o Projeto de Lei 167/2013, Projeto este, já aprovado na Comissão de Infraestrutura do Senado, que visa à redução da incidência de impostos que recai sobre a importação de materiais e sistemas utilizados na conversão da energia solar em energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos. Eu inclusive ministrei palestra em São Paulo no início de setembro, mais precisamente na Intersolar South América, que é a maior feira do segmento em nível global. Atualmente o Brasil explora cerca de 0,01% da sua matriz elétrica através da fonte solar fotovoltaica. Esse percentual é insignificante.