Goiânia é nossa casa coletiva, seu aniversário é também o nosso

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Artigo publicado no jornal Diário da Manhã — 31 de outubro de 2015

vaca brava


Wilder Morais

Seu nome poderia ter sido outro entre as muitas sugestões apresentadas em concurso realizado em outubro de 1933 por um jornal da então Vila Boa de Goiás para escolha do nome da nova capital de Goiás. Petrônia,  Anhanguera, Crisópolis, Heliopólis foram os que mais se destacaram. No entanto, o nome Goiânia, sugerido pelo professor Alfredo de Castro e que nem dez votos recebeu, acabou prevalecendo. Petrônia foi o mais preferido: obteve 105 votos.

Pode se dizer que a história de Goiânia começou em 1725 quando Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, encontrou ouro nas margens do Rio Vermelho. Fato que deu início ao processo de exploração do metal. O achado do respectivo minério fez com que surgisse o povoado da Barra, que, posteriormente, se tornou o Arraial de Sant’Anna. Pela abundância de ouro que havia, aspecto de grande relevância na época, inclusive denominada de ciclo do ouro,  a Coroa Portuguesa resolveu então transformar o Arraial em Vila Boa de Goiás. Isso por volta de 1750.

Esse período de riqueza aurífera, entretanto, começou a diminuir drasticamente, o que fez com que muitos povoados ligados à exploração de ouro fossem abandonados. Essa paralisação econômica foi tão grave que, em Vila Boa de Goiás, hoje Cidade de Goiás, não se construísse mais do que uma casa por ano na cidade. Era um marasmo só rondando o lugar.

José Vieira Couto Magalhães, que foi governador da província de Goiás, relatou, em seu livro “Primeira Viagem ao Rio Araguaia”, publicado em 1863, o quanto Vila Boa estava decadente. Ele  inclusive ressalta a urgência de buscar outra alternativa econômica:

— Hoje, porém, está demonstrado que a criação do gado e agricultura valem mais do que quanta mina de ouro há. Continuar a capital aqui é condenar-nos a morrer de inanição, assim como morreu a indústria que indicou a escolha deste lugar.

Esses relatos históricos mostram que a ideia de transferência da capital de Goiás para outro lugar não se originou da cabeça do médico Pedro Ludovico Teixeira, que, em 1930, começa a governar o Estado. Ele, na verdade, foi o responsável pela transformação da ideia de mudança em fato.

Em dezembro de 1932, Pedro assina o Decreto nº 2737, que nomeia uma comissão com a incumbência de escolher um local para edificação da nova capital. Comissão esta formada por dois engenheiros e um médico – João Argenta, Jerônimo Fleury Curado e Laudelino Gomes de Almeida.  Os três, dentro dos estudos que realizaram, enfocando topografia, hidrologia e clima, optaram, entre as quatro alternativas de locais levantadas – Silvânia, Pires do Rio, Egerineu Teixeira (distrito de Orizona) e Campinas, por esta, que hoje é um bairro de Goiânia, que alguns chamam de Campininha.

Essa ideia, que ganhou vida e que se chama Goiânia, neste 24 outubro chegou aos seus 82 anos de idade. Planejada para abrigar 50 mil pessoas, a cidade tem hoje uma população 1,3 milhão de pessoas.

Assim como Vila Boa de Goiás teve o seu problema relacionado ao fim do ciclo de ouro, Goiânia também tem o seu. Na verdade, mais de um problema, como é comum a todas às grandes cidades, e isso na área de saúde, segurança, mobilidade urbana entre outras.

O fato desses problemas serem comuns não quer dizer que devemos nos acostumar com eles. Isso pode nos levar a outro tipo de inanição da citada por Couto Magalhães em seu livro. Isso quer dizer que a gestão de Goiânia deve ser trabalhada com inteligência, com planejamento.

Goiânia é nossa casa coletiva, e seu aniversário é também o nosso, pois os moradores são o elemento essencial de uma cidade. E aos moradores, que somos nós, recai a responsabilidade de tornar essa casa coletiva mais agradável. Isso para o nosso próprio bem-estar e também para o bem-estar das futuras gerações. A estas temos de deixar a casa bem organizada, boa de se habitar.