“Não adianta sair por aí xingando os políticos como muita gente faz”, pondera Wilder Morais

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Entrevista publicada pela Revista Brasil Política

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O senador goiano Wilder Morais (PP), 47 anos, recém-empossado como presidente do Partido Progressista, diz que, sem estudar, ele jamais teria se tornado um empresário de sucesso da área da construção civil e chegado ao Senado. Natural de Taquaral de Goiás, cidade a 80 quilômetros de Goiânia, Wilder teve a  infância e a adolescência marcadas por muita pobreza. Com muita luta, conseguiu se formar em Engenharia Civil pela então Universidade Católica de Goiás. Trabalhou como engenheiro alguns anos e abriu o seu próprio negócio, que hoje é o Grupo Orca.

Estreou na vida político-partidária como suplente do ex-senador Demóstenes Torres em 2010. No ano seguinte, a convite de Marconi, foi secretário de Estado de Infraestrutura, função que deixou quando assumiu o Senado, diante do afastamento de Demóstenes. Em entrevista exclusiva à Revista Brasil Política, o senador Wilder fala sobre as eleições de 2018, gargalos do país, impeachment, entre outros assuntos. Confira.

BP – O senhor se filiou ao Partido Progressista (PP). Por que a saída do Democratas (DEM) e quais as expectativas na nova casa?

Wilder Morais – Todas as nossas escolhas na vida demandam de nós um caminho para se chegar a elas. E nessas escolhas, o bom senso deve guiar as nossas ações, pois, do contrário, corremos

o risco da frustração. Minha saída do DEM não foi motivada por desavença com algum membro do partido. Tenho um respeito e admiração por todos. Foi tão-somente uma ação pragmática para eu buscar a viabilização da minha permanência na vida política enquanto parlamentar. Sei que 2018 ainda está longe e que muita coisa pode acontecer até lá, mas sinto que é necessário desde já dar início ao trabalho de criar um cenário político mais apropriado ao que busco, mas isso em sintonia com todos os companheiros progressistas, de modo a trabalhar também pela concretização do projeto político deles. Meu ingresso ao PP é motivado pela determinação de ajudar a somar e a trabalhar pela unidade do partido, que tem uma história importante de ações em favor do Estado de Goiás.

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BP – Sua nomeação como presidente estadual do Partido Progressista já se consolidou. Como foi o seu primeiro dia de expediente na sede do partido, ocorrida na tarde do dia 28?

Wilder Morais – Fiquei muito emocionado com o número de pessoas presentes em minha primeira reunião no PP. O auditório ficou pequeno para o volume de pessoas lá presentes, entre elas o deputado federal Sandes Júnior (PP), o deputado estadual Tales Barreto (PTB), o diretor-técnico do Detran João Balestra, muitos prefeitos e vices, lideranças jovens de vários municípios, entre outros. Muitas fizeram uso da palavra e enalteceram a minha chegada ao partido. Houve também muitas filiações. E na noite do mesmo dia, fui a Trindade, onde recebi outra acolhida calorosa dos pepistas da cidade, que lotaram o auditório do Rotary Clube de Trindade. O prefeito da cidade, Jânio Darrot, ressaltou que tenho sido um senador que tem dado uma atenção especial com o município, isso pelas emendas por mim destinadas para lá. Em síntese, posso dizer que estou muito entusiasmado com a nova rotina política como presidente do PP, e que me dedicarei com muita intensidade para o crescimento do partido, de modo a torná-lo uma unidade legítima, em que todos membros tenham voz ativa na sigla.

 BP- Sobre 2018, a campanha de reeleição para o Senado já é uma realidade ou há outros projetos políticos em análise?

Wilder Morais – Não há plano b. Minha meta essencial é buscar a reeleição ao Senado. Estou trabalhando determinadamente na construção do caminho para chegar a esse objetivo, mas volto a dizer que 2018 ainda está longe. Sei das dificuldades existentes nesse percurso político, mas perseverança em mim é algo em abundância. Além do meu projeto político, me empenharei também na realização dos projetos dos companheiros de partido. Unidade partidária é isso: todos movidos pelo mesmo objetivo.

BP- De origem humilde, se tornou um empresário de sucesso e agora se consolida na carreira política. De que forma acredita que o bom desempenho no setor privado possibilita conquistas na vida pública?

Wilder Morais – As conquistas das pessoas na vida pública podem decorrer de ações realizadas tanto no setor privado como no público. É o que pessoas são, seja como agente público ou privado, é que vai ajudá-las a alcançar as conquistas. Lógico que isso foge à regra em muitos casos, e assim muitas pessoas têm conseguido viabilizar uma carreira política sem ter um histórico de vida realmente marcado por um bom desempenho profissional. Penso que, no meu caso especificamente, a minha história de vida como empresário, que foi marcada por muitas dificuldades, pode me ajudar nesse sentido.

BP- Quais são os principais gargalos que identifica em nosso país e que propostas teria para melhorar a situação?

Wilder Morais – O custo Brasil tem três vilões que estão impedindo o desenvolvimento do país. Esses vilões se chamam carga tributária elevada, burocracia excessiva  e carência de infraestrutura. O governo federal, infelizmente, perdeu o controle o país. Ele não elege prioridades. O combate a esses três vilões deve ser a ação prioritária do governo, o qual, conforme estamos vendo, está sem norte em sua gestão e com isso o Brasil anda se encolhendo economicamente. Há uma iminência de caos econômico rondando o país. Sobre a nossa elevada carga tributária, há outro aspecto ruim nisso: pela quinta vez consecutiva o Brasil está um último lugar como o pior em retorno dos tributos à população.

BP – O Brasil atravessa uma séria crise político-econômica e, impaciente, parte da população e também da classe política pedem o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. O senhor é contra ou a favor da saída da petista? Por quê?

Wilder Morais – Impeachment é algo sério. Feliz é o país que pode empregá-lo, pois ele só é possível em nações com democracia madura. O impeachment, no entanto, não pode ser empregado por motivação subjetiva. Sua aplicação tem de ser amparada em fatos concretos, bem legitimados pelos órgãos investigadores. O que destaco mesmo é que ninguém pode estar acima da Constituição. Havendo comprovação de crime eleitoral ou outro tipo de crime que provoque a necessidade de impeachment, o Brasil deve (e precisa) mostrar sua solidez constitucional.

BP – Os casos de corrupção estão em evidência. Com isso, cai a confiança no atual governo e, paralelamente, na política de forma geral. Em sua opinião, é mesmo possível separar o joio do trigo e reestabelecer a credibilidade da política brasileira ou estamos distantes de colocar a casa em ordem?

Wilder Morais – Esse descrédito popular por que passa governo federal é essencialmente resultado desses casos de corrupção ocorridos no país, sendo o da Petrobras o mais grave deles. Nunca o Brasil esteve em evidência tão negativa como agora. A tarefa de separar o trigo do joio está essencialmente nas mãos do povo. Cabe a ele ser mais seletivo em suas escolhas eleitorais, ser mais curioso em relação aos políticos que elege para representá-lo. Não adianta sair por aí xingando os políticos como muita gente faz, colocando-os na mesma vala, pois nem todos políticos são joio. Em vez de se afastarem da política do país, o povo deve se engajar. A definição do filósofo Bertolt Brechet  sobre o analfabeto político cabe perfeitamente neste contexto das palavras. Não há como não participar vida política do país. Afinal “o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.

BP – Nosso país é tachado pela burocracia e alta carga tributária. Qual o caminho possível para um Brasil mais competitivo?

Wilder Morais – Esse dois vilões, conforme mencionei anteriormente, fazem parte do custo Brasil. Sem priorizar ações que os combatam eficientemente, não alcançaremos competitividade. E aqui entra também o outro vilão, que é a falta de infraestrutura. É inconcebível, o Brasil não ter uma malha ferroviária cortando o país de fora a fora para escoamento de suas commodities agrícolas e minerais. A Ferrovia Norte-Sul foi iniciada na década de 80 e até hoje não foi concluída. O Brasil está na contramão do desenvolvimento.

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BP – O senhor é autor de projetos de lei que incentivam a maior utilização de fontes renováveis para a geração de energia. Quais são as ideias principais?

Wilder Morais – O Brasil está na contramão do progresso ao não explorar de maneira mais intensa suas fontes renováveis, essencialmente a luz solar e vento, que são abundantes no país o ano inteiro. A Alemanha, um país que não tem a incidência de sol como o Brasil, produz mais energia fotovoltaica do que nós. O impacto ambiental vindo das fontes renováveis é nada perto  do provado pelas fontes de energia vinda da queima de combustíveis fósseis, que produzem de dióxido de carbono e outros gases geradores do efeito estufa. O Brasil tem essa alternativa em seu quintal de ficar sem depender de combustíveis fósseis para geração de energia elétrica. Só está precisando agir, acompanhar a modernidade, promover a sustentabilidade.

Entre os inúmeros projetos de lei por mim apresentadas estimulando a utilização de fontes renováveis, o de maior destaque é o Projeto de Lei 167/2013, Projeto este, já aprovado na Comissão de Infraestrutura do Senado, que visa à redução da incidência de impostos que recai sobre a importação de materiais e sistemas utilizados na conversão da energia solar em energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos. Eu inclusive ministrei palestra em São Paulo no início de setembro, mais precisamente na Intersolar South América, que é a maior feira do segmento em nível global. Atualmente o Brasil explora cerca de 0,01% da sua matriz elétrica através da fonte solar fotovoltaica. Esse percentual é insignificante.

Adeus ao DEM e vida nova no PP para 2018

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Entrevista publicada pelo jornal Diário da Manhã – 8 de Setembro de 2015

Entrevista Wilder Morais

Renato Dias
Da Editoria de Política e Justiça

O senador Wilder Morais deve deixar o Democratas [DEM] para ingressar no Partido Progressista {PP], dia 14 de setembro. A operação é para o cenário de 2018, em Goiás. A equação já está fechada. Apesar disso, o empresário admite que a crise que grassa o tecido econômico e social do Brasil faz a economia do País encolher. Nem o pacote elaborado pelo presidente do Congresso Nacional, o peemedebista Renan Calheiros [AL], para conter o incêndio cujas labaredas ameaçam a sociedade e o Estado, lhe satisfaz. “Crise está que vai demandar ações estruturais da presidente, as quais devem ser urgentes, pois enfermidade econômica do Brasil é séria é exige uma medicação precisa. Este é o grande desafio de Dilma Rousseff”, dispara. Empreendedor, Wilder Morais admite que existe amplo espaço na arena política nacional para viabilizar um projeto do atual inquilino da Casa Verde, o tucano Marconi Ferreira Perillo Júnior.
Leia a íntegra da entrevista:

DM — Qual a sua análise sobre o cenário econômico brasileiro?

Wilder Morais — O Brasil está encolhendo economicamente. O País está na sua pior crise das últimas duas décadas. Dizer que nossa crise é reflexo de crise internacional, como setores do governo andam dizendo, não justifica. É pura divagação. A razão dela está dentro do governo federal, que não tem um norte definido, que não elege prioridades. Não se percebe claridade nas ações do governo. O ajuste fiscal que se busca para conter a crise é de grande urgência e ele deve envolver um esforço coletivo de todos setores. O governo federal, no entanto, deve dar a entender que realmente tem esse propósito. A imprensa divulgou que a presidente Dilma pretende eliminar dez ministérios e tomar outras medidas para enxugar a máquina. A economia resultante desse enxugamento não significa muita coisa perto do volume de recursos necessários para consertar a vida econômica do país, mas é um pequeno indicativo de que há vontade política do governo em solucionar a crise. Crise está que vai demandar ações estruturais da presidente, as quais devem ser urgentes, pois enfermidade econômica do Brasil é séria é exige uma medicação precisa. Este é o grande desafio da presidente.

DM — Como o senhor viu o projeto de ajuste formulado por Renan Calheiros e entregue a Dilma Rousseff para estancar a crise?

Wilder Morais — Sem dúvida representa uma alternativa interessante para se resolver a crise, mas não podemos nos esquecer de que se trata de projeto. E projeto é tinta no papel. Grande parte do tempo dos parlamentares é tomado na discussão de projetos importantes para o desenvolvimento do país. Eu, por exemplo, apresentei inúmeros projetos no Senado, voltados a vários setores, sobretudo no aproveitamento de fontes alternativas para geração de energia, e eles ainda estão em discussão na Casa. As 27 propostas anticrise apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, se viabilizadas (e torço para que isso ocorra), mexerão com três grandes eixos importantes: melhoria do ambiente de negócios, equilíbrio fiscal e proteção social. Agora é promover o essencial, que são as ações para viabilizar essas propostas.

DM — Existe base jurídica para o impeachment de Dilma Rousseff?

Wilder Morais — Não sei dizer se há embasamento jurídico para o impeachment. O que percebo é que existe no país um grande descontentamento do povo para com a gestão da presidente Dilma, a qual é marcada por muitos tropeços administrativos e escândalos de corrupção. Pesquisa realizada pela CNT/MDA no mês passado mostrou o quanto a sua aprovação popular está baixa: 7,7%. Essa queda brusca de popularidade da presidente aconteceu entre as pessoas com baixa renda familiar e com baixo grau de instrução. Ou seja, justamente entre as pessoas onde ela vinha gozando de popularidade. O cenário está crítico, e olha que a presidente está apenas no oitavo mês do seu segundo governo. Ela já passou por um primeiro governo e só agora veio reconhecer que não sabia da crise econômica pela qual passava o país durante a eleição do ano passado. Esse mea-culpa dela não serve de argumento. Crise econômica é resolvida com ações.

DM — Marconi Perillo teria espaço a um projeto nacional em 2018?

Wilder Morais — O governador Marconi é um gestor competente. E isso é um aspecto essencial para sustentar essa busca de espaço num cenário nacional. O estágio de desenvolvimento que existe hoje no Estado é fruto do seu trabalho incansável. A volta de Marconi ao Governo de Goiás nas eleições de 2014 representa o reconhecimento do povo goiano em relação ao trabalho prestado em suas gestões anteriores. O enxugamento que promoveu na máquina pública estadual, reduzindo a quantidade de órgãos de seu governo (fato que deveria ser copiado pela presidente Dilma), prova a sua preocupação com a crise econômica e sobretudo adaptação à nova realidade.

DM — A sua ida para Partido Progressista já faz parte de sua agenda política e eleitoral?

Wilder Morais — Sim. No dia 14 deste mês vai acontecer o evento de minha filiação. Com isso, já que meu único objetivo é buscar a reeleição 2018,estou recorrendo uma alternativa que julgo ser mais pragmática para que isso seja viabilizado. Minha saída do DEM não se dá por desavença alguma com ninguém do DEM. Tenho uma relação boa com todos membros do partido. Minha relação com o senador Ronaldo Caiado é muito boa. Tenho uma grande admiração por ele enquanto político e pessoa. À frente da presidência do PP, vejo uma maior probabilidade do meu projeto político ser concretizado. Reconheço que o 2018 ainda está longe, mas vejo como necessário, desde já, começar a trabalhar um cenário mais adequado ao que busco para minha carreira política.

DM — É possível Wilder Morais ocupar a vaga de vice na chapa de José Éliton em eventual disputa ao governo de Goiás?

Wilder Morais — Ainda não tomei conhecimento dessa possibilidade. Não vieram a mim contá-la. Volto ao que disse anteriormente: “2018 está longe. Vou deixar as conversas e as circunstâncias fluírem para que eu defina um norte para minha carreira política”. O que posso assegurar com certeza é que o meu foco político está voltado à reeleição.

DM — Como anda seu projeto de lei voltado à energia solar?

Wilder Morais — É inconcebível o Brasil não estar utilizando a contento a riqueza de fontes renováveis que possui para gerar uma energia limpa. A Alemanha, que não tem a incidência de sol que temos, está na frente do Brasil na geração de energia solar. Na verdade, tenho mais de um projeto voltado ao uso da luz solar e do vento para geração de energia. Meu projeto de maior destaque é o Projeto de Lei do Senado 167/2013, o qual inclusive já foi aprovado pela Comissão de Infraestrutura do Senado. Esse projeto busca incentivar a desoneração de impostos relacionados à aquisição de placas fotovoltaicas para a geração de energia e prevê também a isenção do imposto de importação para componentes fabricados em outros países até que no Brasil seja confeccionado um produto equivalente ao importado. A agência de notícia americana SeeNews Renewables, que é voltada à divulgação de matérias de negócios e inteligência para o setor de energia renovável, divulgou esse meu projeto por entendê-lo como avançado.

DM — Que objetivo tem a Subcomissão Permanente de Acompanhamento do Setor de Mineração, que é presidida pelo senhor? Que leitura faz da primeira audiência pública realizada sobre o tema?

Wilder Morais — O propósito da subcomissão é trabalhar na realização de análises e providências legislativas de tanto carece o setor da mineral. A falta de uma legislação atualizada para o segmento faz com que bilhões de dólares deixem de circular no Brasil. O setor mineral imprescindível para nossa economia; as mais variadas indústrias — do agronegócio à siderurgia — estão ligadas à mineração. Na primeira audiência, que contou a participação significativa de representantes do segmento no país, colhemos as sugestões deles, por sinal bem pertinentes com a modernização do novo marco regulatório. A subcomissão está debruçada sobre o assunto de maneira especial, principalmente para com os produtos que fazem parte das commodities minerais, visto que estas, ao contrário das commodities agrícolas, são bens esgotáveis. Fato que exige uma legislação voltada a esse aspecto de modo que essas commodities sejam utilizadas de maneira economicamente inteligente.

DM — Qual crise no Brasil é a maior: a econômica ou política? Que saída o senhor vê para essa crise vivida pelo Brasil?

Wilder Morais — Há, na crise brasileira, os dois ingredientes. Como o governo federal tem se mostrado um gestor frágil na política econômica e estar escândalos em sua administração, isso é a brecha para que a crise política ganhe espaço. Só que, num momento de crise como este, a solução não virá de ações políticas, mas sim de ações apartidárias, em que o Brasil seja a prioridade de todos os partidos.

DM — Que leitura o senhor fez das manifestações de 16 de agosto?

Wilder Morais — O grito das ruas está entrando num ouvido do governo federal e saindo no outro. As manifestações de 16 de agosto são mais um alerta do povo sobre o seu descontentamento com a desordem econômica que tomou conta do Brasil. Reconhecer, como fez a presidente Dilma, que a democracia do país permite as pessoas se “manifestarem, mesmo contra presidente da República, sem sofrer quaisquer consequência”, é, sem dúvida, algo louvável. Mas isso, convenhamos, é uma reposta evasiva. Não é isso que o povo quer da presidente. Ela foi escolhida para governar o Brasil e não consegue empreender tal coisa; e isso representa um outro tipo de “consequência” para o povo, desemprego, inflação; e, na ponta disso, o descontentamento das pessoas por perderem qualidade de vida. Consequência esta que faz o povo se sentir oprimido pela crise sem igual e assim, no exercício do seu direito democrático, vai para as ruas pedir novos rumos para o país. Fato que nada tem a ver com os motivos que o governo aponta nos manifestantes: “pessimismo e intolerância”. O que ocorre é simplesmente frustração do povo com um governo que prometeu muito e não está cumprindo.

Diário da Manhã entrevista o senador Wilder Morais

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Renato Dias
Da editoria de Política & Justiça
Jornal Diário da Manhã 17 de fevereiro

O senador Wilder Morais revela, com exclusividade para o Diário da Manhã, que Marconi Perillo (PSDB), inquilino da Casa Verde é opção, sim, à presidência da República, quando 2018 vier. O democrata denuncia o mar de lama que se esvai dos cofres da Petrobras para bolsos privados e até para partidos políticos. Cáustico, o homem não descarta a possibilidade de aprovação de impeachment da atual presidente da República, a petista Dilma Rousseff. Empresário de sucesso, ele abençoa a indicação de Ronaldo Caiado para o cargo de líder do DEM no Senado. Mais condena a operação arquitetada por Renan Calheiros (PMDB-AL), com a anuência da bancada do PT, para excluir a oposição da Mesa Diretora do Senado da República. De linhagem moderna, Wilder Morais defende o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais. Preto no branco: ele exorciza o que considera relações promíscuas entre o público e o privado.

Diário da Manhã – O DEM acionou a Justiça contra a eleição à Mesa Diretora do Senado. Qual motivo?

Wilder Morais – O critério da proporcionalidade de composição da Mesa Diretora do Senado, que é algo previsto pela Constituição, foi desrespeitado, foi colocado em segundo plano. Fato que ocorreu para que toda composição fosse composta de parlamentares sintonizados com os interesses do governo federal, que quer apenas parlamentares afinados com ele. Essa eleição foi gol contra, pois ignorou o que consta na Constituição.

DM – O perfil de Ronaldo Caiado como líder da bancada do Senado lhe agrada?

Wilder Morais – O senador Ronaldo Caiado, que é do meu partido, é o parlamentar certo no lugar certo. Além de muito conteúdo intelectual e político, ele possui também algo que é essencial: uma bagagem moral singular, a qual lhe serve de sustentação naquilo que está fazendo enquanto líder do DEM no Senado. Caiado chegou em boa hora àquela Casa de Leis. O Brasil e Goiás, sem dúvida, vão estar bem representados.

DM – Qual a sua análise sobre a crise na Petrobras?

Wilder Morais – A Petrobras vive uma fase de lama sem igual. Desde que me entendo por gente, eu nunca tinha visto um governo federal mais cheio de escândalos administrativos do que o atual. Governo este que tem feito o Brasil viver uma fase de corrupção sem paralelo em sua história. Fato que representa uma nódoa desastrosa à imagem do País, visto estar repercutindo internacionalmente, bem como representa um desastre de grandes proporções aos cofres públicos e à vida econômica do Brasil em aspectos mais variados. A cada dia vem a público mais uma capítulo de corrupção na empresa. No ritmo em que os escândalos estão acontecendo, certamente vai faltar letra no alfabeto para nomear as operações da Polícia Federal na empresa.

DM – Existem elementos para se falar em impeachment de Dilma Rousseff?

Wilder Morais – A palavra impeachment para quem é alvo dela é algo muito ruim, mas para o povo, que pode usá-la na prática, é ótima, visto que a palavra só existe em países que cultuam a democracia. Não tenho conhecimento jurídico suficiente para afirmar que a presidente mereça isso. Mas, diante dos episódios desastrosos e corruptos que andam ocorrendo em seu governo, creio que isso serve de embasamento. Faz-se necessário observar que o impeachment contra a presidente não é algo buscado pela oposição de modo gratuito, não é algo buscado no vento. É o próprio governo (e ele precisa reconhecer isso) que, nas suas atrapalhadas ações administrativas e consequentemente episódios corruptos, que está construindo essa possibilidade para ele. A minha convicção maior é no sentido de que a democracia não pode ser desrespeitada, pois ela põe fim a governos totalitários, onde a vontade da sociedade não pode ser externada.

DM – O que o senhor defende na reforma política?

Wilder Morais – O restabelecimento da democracia no Brasil trouxe mais coisas boas do que ruins. A melhor de todas foi o fim da ditadura. O financiamento privado das campanhas eleitorais está entre as ruins, visto que muitas pessoas sem comprometimento social com os eleitores que o elegeram chegam ao poder e, aí, num gesto traiçoeiro contra seus eleitores, passam legislar ou governar conforme os interesses daqueles que fizeram doações em suas campanhas. Em março, a reforma política vai entrar na pauta do Senado e isso é uma oportunidade de ouro para que tópicos importantes, como financiamento público de campanhas, lista fechada, cláusula de barreira e outros, sejam discutidos no sentido de se promover uma reforma política moralizadora, que ponha fim à farra que hoje existe. Só que, além da promoção de uma reforma séria, também será preciso o envolvimento da sociedade, no que diz respeito a ter uma participação maior na vida política do País. O que caracterizará um exercício salutar da democracia, cujo bem maior refletirá justamente na sociedade.

DM – O financiamento público de campanhas seria uma medida correta?

Wilder Morais – Um ponto final precisa ser dado nesse episódio desastroso ao Brasil, em que empresários e lobistas são beneficiados de diversas formas pelo fato de serem doadores de campanha de determinados candidatos. Fato que engessa o desenvolvimento do País, haja vista que determinados homens públicos ficam a serviço de seus doares. Acredito que o financiamento público promoverá um maior benefício, pois o valor das campanhas devem baixar muito e dar fim aos gastos exorbitantes que as campanhas estão custando. Isso exigirá uma fiscalização mais criteriosa da Justiça Eleitoral, que deve também exigir, para aplicação da transparência, a publicação de prestação de contas em tempo real na internet. A fiscalização do custeio público das campanhas ocorrerá em dois aspectos: quanto ao valor destinado da origem aos candidatos e sobre a aplicação desse dinheiro, que será a tarefa mais complexa, visto que poderá haver gastos fictícios, entenda-se aqui laranjas e notas frias. Nesse processo de fiscalização, devem entrar também como agentes importantes: a Polícia Federal e o Ministério Público, os quais já vêm promovendo um trabalho de grande utilidade ao Brasil.

DM – Qual a sua perspectiva de crescimento da economia nacional para 2015?

Wilder Morais – O cenário que aí está desenhado, infelizmente, não mostra uma luz no fim do túnel. A economia é o grande termômetro para se avaliar a popularidade de um governo. A pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha mostrou um quadro nada agradável para a presidente Dilma e, na raiz disso, estão fatos econômicos nada animadores. Ela que, em dezembro de 2014 tinha 44% de ótimo/bom, agora passa por situação contrária nos percentuais. O governo federal está travado, não consegue dar um rumo ao País, não consegue diminuir o custo Brasil (que é uma grande pedra no meio do caminho do desenvolvimento), não consegue enxugar a máquina pública (leia-se excessos de ministérios, para os quais muitos nomeados chegaram ao cargo por conveniência partidária, quando o certo deveria ser o critério técnico).

DM – Como o senhor viu a nomeação e as primeiras medidas de Joaquim Levy e de Kátia Abreu?

Wilder Morais – São duas pessoas capacitadas, mas acima deles está a presidente Dilma, que tem sido o grande obstáculo à boa administração do País. Como precisava vencer a eleição de 2014, ela agiu ardilosamente: deixou que a eleição, o Natal e o ano-novo passassem para aumentar a conta de luz. E olha que lá trás ela foi aos veículos de comunicação anunciar ruidosamente que diminuiria a conta de luz dos brasileiros. O preço dos combustíveis subiram assustadoramente. Para consertar seus tropeços administrativos, o governo infelizmente comete outro por sinal muito injusto: está buscando a solução justamente no bolso de quem não tem nenhuma culpa das trapalhadas administrativas: o povo. A inflação está aí muito tempo, mas que vem sendo maquiada com arranjos contábeis dos técnicos de seu governo. Arranjos estes que estão ruindo, sendo desmascarados. Tanto é verdade que essa desaprovação da presidente divulgada pelo Datafolha é um reflexo explícito disso.

DM – Qual o melhor caminho para o DEM em Goiânia no ano de 2016?

Wilder Morais – O partido ainda não se reuniu para discutir que rumo tomar em 2016. A discussão desse assunto ainda vai acontecer por esses dias e envolverá a participação de todos os membros do partido.

DM – Como o senhor viu a reforma administrativa de Marconi Perillo?

Wilder Morais – Vejo-a como salutar à saúde econômica do Estado. Essa reforma, que nem dois meses tem de realizada, com certeza alcançará, ao longo de toda a gestão, o propósito de eficiência da máquina pública que levou o governador Marconi a realizá-la. O governo federal, assim como já está fazendo também o prefeito Paulo Garcia, deveria promover também uma reforma semelhante à que ocorre no Estado de Goiás. A conveniência política não pode (e não deve) sustentar a quantidade de ministérios que há. O preço disso é muito caro ao país, pois engessa o seu desenvolvimento, faz com que o governo fique mais voltado às conveniências partidárias do que à conveniência da boa gestão administrativa, que é a geradora de desenvolvimento socioeconômico.

DM – Marconi Perillo é boa opção para 2018 ao Palácio do Planalto?

Wilder Morais – O governador Marconi ainda nem externou essa vontade, afinal o seu governo tem apenas um mês e meio. No entanto, é preciso reconhecer que ele conseguiu ser eleito por quatro vezes a governador. E isso, no entanto, é um grande mérito político que, sem dúvida, o credencia ao pleito de 2018. Fato que poderá ter uma definição ainda melhor após suas ações administrativas neste seu novo governo.

DM – O senhor disputa a reeleição em 2018?

Wilder Morais – Ainda está cedo para pensar nisso. O que estou fazendo mesmo é trabalhando, apresentando projetos de leis voltados a questões essenciais no país, como crise energética, crise hídrica. Na semana passada, por exemplo, alterei um projeto de lei meu: mudei seu conteúdo de maneira a obrigar não só a união (conforme era no primeiro projeto), como também os estados que busquem recursos federais para construção de prédios, a empregarem nos prédios sistemas de aproveitamento de água de chuva para realização de atividades secundárias, ou seja, que não demandem a utilização de água tratada, que é a utilizada para consumo. Não podemos ficar usando água tratada em descargas de banheiro, na lavagem de calçadas e de chão, na rega de jardins e em outras atividades.

DM – Qual a sua análise de Paulo Garcia?

Wilder Morais – As dificuldades de seu governo são muitas. Mas pelo que tenho acompanhado pelos jornais, ele deu início a uma série de ações para resolver essas dificuldades. Esse processo de enxugamento da máquina pública criado por ele já representa algo de grande relevância, pois assim certamente vai sobrar mais recursos para que ele aplique em setores de grande urgência na Capital.

Diário da Manhã entrevista o senador Wilder Morais

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Entrevista publicada pelo jornal Diário da Manhã — 5 de junho de 2014

 

Senador do DEM diz que o governador caminha para conquistar a reeleição, em 5 de outubro, por empreender um governo com transformação econômica, avançado programa de infraestrutura e criativos organogramas de inclusão social

O senador Wilder Morais (DEM) diz que o governador Marconi Perillo (PSDB) reúne todas as condições para conquistar a reeleição em 5 de outubro, já que conta com uma sólida e robusta base eleitoral e alcança expressivos resultados na gestão administrativa. “Marconi vive um momento de seu governo em que o gestor sobressai ao político. Na verdade, esse perfil de gestor e algo que se destaca nele como chefe do Executivo, e que foi possível promover  uma grande e destacada transformação econômica no Estado. Essa lado técnico e gerencial de Marconi é, portanto, seu grande trunfo para enfrentamento das eleições bem singulares deste ano.”

O líder da minoria no Senado Federal lembra que, pelo afora, “há inúmeras obras de grande importância econômica e social em fase de construção, muitas inclusive já inauguradas; e é isso que os eleitores querem de seus governantes”. E acrescenta: “O momento atual, no entanto, é de puro céu de brigadeiro para a reeleição de Marconi. E pelo que as circunstâncias mostram, tudo caminha para esse cenário de consolidação da reeleição continue até o dia decisivo das eleições.”

Por outro lado, Wilder não vê um horizonte favorável à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT): “Não torço para que o pior ocorra em seu governo, mas não vejo um cenário agradável para sua reeleição. Fato contrário à situação de Marconi: pela predominância de atividades técnicas e gerenciais de seu governo justamente neste momento de turbulência política, onde o descontentamento dos eleitores nunca esteve tão em destaque.” O senador goiano sustenta que, se o ritmo da administração federal estivesse igual ao da administração de Goiás, que “é um canteiro de obras”, certamente a presidente Dilma não estaria vivendo o tormento que vive, “a ponto de nem poder fazer aparecimento público.”

Filho de costureira e lavrador, nascido em Taquaral, Wilder Morais trabalhou muito para ser um profissional vencedor, empresário competente e um político idealista. “Esse ambiente de harmonia familiar me foi muito importante na lapidação do meu caráter.” É formado em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Goiás, hoje PUC-GO, cujo curso foi custeado por “Crédito Educativo”. Depois de entrar em uma empresa com estagiário no primeiro mês de curso, deixou a construtora como diretor-presidente aos 26 anos de idade. Ao lado de dois colegas de cursos, fundou a Construtora Orca, que, nos últimos 15 anos, constrói e desenvolve projetos exclusivamente para a iniciativa privada.

Chegou ao Senado da República como suplente do senador Demóstenes Torres, cassado em 2012. Antes ocupara a Secretária de Infraestrutura, a convite do governador Marconi Perillo, cargo que ocupou por 17 meses.

DM – Que leitura o senhor faz do cenário político de Goiás para a reeleição de Marconi? Está céu de brigadeiro?

Wilder Morais – O otimismo é algo essencial em tudo na vida, mas, ao sairmos de casa, é bom levar um guarda-chuva como precaução. Em política, as circunstâncias mudam muito rapidamente, cada momento tem a sua leitura. O momento atual, no entanto, é de puro céu de brigadeiro para a reeleição de Marconi. E pelo que as circunstâncias mostram, tudo caminha para que esse cenário de consolidação da reeleição continue até o dia decisivo das eleições.

DM – Que circunstâncias são essas que o senhor diz que podem consolidar a reeleição de Marconi?

Wilder Morais – Os chefes do Executivo, seja da esfera federal, estadual ou municipal, possuem dois perfis: um político e outro técnico. Os que tocam seu governo com predominância do viés político como sempre cometem o erro muito frequente: realizar uma administração fraca, de pouco avanço desenvolvimentista, visto que há predominância de decisões político-partidárias em atividades que exigem ações técnicas e gerenciais. Marconi vive um momento de seu governo em que o gestor sobressai ao político. Na verdade, esse perfil de gestor é algo que se destaca nele como chefe do executivo, e que lhe foi possível promover uma grande e destacada transformação econômica no Estado. Esse lado técnico e gerencial de Marconi é, portanto, seu grande trunfo para enfrentamento das eleições bem singulares deste ano.  Pelo Estado a fora, há inúmeras obras de grande importância econômica e social em fase de construção, muitas inclusive já inauguradas; e é isso que os eleitores querem de seus governantes.

DM – Essa singularidade das eleições deste ano que senhor menciona está em que propriamente?

Wilder Morais – Em junho do ano passado, quando em São Paulo a passagem de ônibus saiu de R$ 3,00 e foi a R$3,20, isso deu início às manifestações de rua. A partir de então, as manifestações chegaram a todos os estados e os motivos de protestos foram os mais variados. E agora, às vésperas dos jogos da Copa do Mundo, elas voltaram acontecer, inclusive para protestar contra o evento esportivo. Inclusive ressalto que tem havido um exagero nos protestos, que têm saído do viés pacífico e chegado a atos de violência, que devem ser punidos. Estamos vivendo uma democracia plena e isso permite a todos as suas manifestações de protesto, não manifestações de destruição como temos assistido. É preciso respeitar o direito dos brasileiros que gostam de futebol. A Copa em si não tem nada a ver com o estado de paralisia do governo.

Essa singularidade a que me refiro é que agora temos uma massa de eleitores muito revoltada com os políticos, e ela pode colocar todos políticos na vala comum e se abster de votar, quando, na verdade, esse tipo de raciocínio não é o acertado, visto que não resolve os problemas que fazem os protestos acontecerem. Quando se trata de eleitores indecisos, é mais fácil lidar nesse terreno, pois os indecisos não têm uma posição fechada da não-participação eleitoral, eles apenas não sabem ainda em quem voltar. Obras a mostrar, coisa que a presidente Dilma não tem, são os únicos argumentos a serem usados para o convencimento do eleitor. Tivessem elas acontecendo, não veríamos a população indo para as ruas protestar.

DM – Que cenário o senhor vê para a reeleição da presidente Dilma?

Wilder Morais – Quando fazia parte da equipe de ministros do ex-presidente Lula, a presidente Dilma tinha um perfil de gestora, inclusive, numa jogada de marketing, ela até foi apontada como “Mãe do PAC”, e isso, de certa forma, e acabou funcionando. Só que funcionou apenas para vencer a eleição, pois, na prática, não é o perfil de gestora que sobressai na sua administração. Há uma certa paralisia em seu governo, que vem sendo gerido por um certo improviso. Além de atraso em suas principais obras, pesa ainda contra parte delas a majoração de seus custos. Vale observar ainda que seu governo investiu US$ 1 bilhão no porto Mariel, que fica em território brasileiro, mas sim em Cuba. E improviso é imaturidade gerencial. As decisões de seu governo não têm sido guiadas por atividades técnicas e gerenciais. Não torço para que o pior ocorra em seu governo, mas não vejo um cenário agradável para sua reeleição. Fato contrário à situação de Marconi: pela predominância de atividades técnicas e gerenciais de seu governo, justamente neste momento de turbulência política, onde o descontentamento dos eleitores nunca esteve tão em destaque. Se o ritmo da administração federal estivesse igual ao da administração de Goiás, que é um canteiro de obras, certamente a presidente Dilma não estaria vivendo o tormento que vive, a ponto de nem poder fazer aparecimento público.

DM – O senhor foi secretário de Infraestrutura no governo Marconi de 2011 a julho de 2012. O que lhe foi possível realizar nesse período à frente da Pasta?

Wilder Morais – Ao me convidar para o cargo, o governador me disse que queria de mim uma ação técnica no setor de infraestrutura, principalmente na área de rodovia, que estava muito danificada, devido ao abandono do governo anterior. Aceitei, e assim, juntamente com a Agetop, começamos a mapear os quase 25 mil quilômetros da malha rodoviária do Estado, que tem 52% pavimentada. Desse mapeamento,  surgiram o Programa Rodovida e o Fundo de Transportes, este criado para custear os custos da recuperação. Não fosse esse planejamento estratégico exigido pelo governador, Goiás não estaria executando hoje o maior programa no Brasil de construção, recuperação e manutenção de rodovias: mais de cinco mil quilômetros de rodovias recuperadas e mais dois em fase de conclusão. A retomada da obra da ponte de Cocalinho, que liga Goiás a Mato Grosso, foi outro pedido que o governador me fez. Enquanto secretário de Infraestrutura, retomei a construção da ponte, inclusive fui algumas vezes ao local para ver o andamento da obra. Obra esta a ser inaugurada por estes dias e que terá grande importância socioeconômica para a Região do Vale do Araguaia no escoamento de gado de corte e grãos e também para o desenvolvimento do turismo ecológico.

DM- Como tem sido a sua atuação como líder do bloco da minoria no Senado?

Wilder – Mesmo antes de assumir a liderança do bloco da minoria, eu vinha atuando de maneira lúcida, sem permitir que questões partidárias guiassem minhas ações na Casa. Torcer para o pior da administração federal é torcer contra o Brasil. Essa linha de ação não bate com o meu perfil político. Entretanto, não tenho fugido de minha obrigação parlamentar de apontar os erros constantes do governo. Estou no Senado para travar uma luta de ideias para o melhoramento do País e não para marcação territorial político-partidária. Minha crítica ao governo pelas constantes falhas de sua administração, que não prioriza o planejamento e nada faz para combater os três gargalos do custo Brasil, no caso carga tributária elevada, burocracia excessiva e carência de infraestrutura, visa ajudar na construção do Brasil e não na destruição do governo.

DM – Por que o senhor votou contra a Medida Provisória 630/2013?

Wilder Morais – Veja como é o improviso! Primeiro criou-se o RDC  (Regime Diferenciado de Contratações) para atender as obras ligadas à Copa e aos Jogos Olímpicos 2016, lembrando que muitas  obras da Copa só serão concluídas após os jogos. Essa Medida, em sua redação original estendia a aplicação do RDC às obras de reforma e ampliação de presídios e unidades de internação para adolescentes, mas, na relatoria da senadora Gleisi Hoffmann, o RDC passou a atender a todas as licitações.  O bom senso felizmente prevaleceu, e a Medida foi recusada pelos senadores oposicionistas e até por alguns governistas. Se tivesse definido um número menor de sedes, coisa que só agora o ministro Gilberto de Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, assumiu, e o início das obras tivessem ocorrido praticamente às vésperas da Copa, teria dado tempo de se realizar todas as obras sem se criar o RDC, que acabou não funcionando.

DM – A presidente Dilma inaugurou recentemente, em Anápolis, a primeira etapa da Ferrovia Norte-Sul. Qual a importância desse modal logístico para Goiás.

Wilder- Mesmo sem recorrer ao uso de ferrovia para escoamento de sua produção, Goiás vem ocupando um papel de destaque no cenário nacional em crescimento. O que foi possível devido a uma política arrojada de desenvolvimento empregada no Estado nas últimas duas décadas, sobretudo nas gestões do governador Marconi. Duas décadas atrás,  o PIB de Goiás era de apenas R$ 13 bilhões, em 2013 chegou a 133 bilhões. Devemos, sim, comemorar a inauguração da primeira etapa da Ferrovia Norte-Sul, ocorrida após 25 anos do seu início. Agora vem a etapa dos trens circularem nas ferrovias, o que não pode demorar como ocorreu na instalação dos 855 quilômetros de trilhos de  Palmas (TO) a Anápolis (GO).  Era para essa ferrovia estar funcionando há muitos anos. Faltou vontade política do governo federal nesse sentido. O modal rodoviário é inapropriado para escoamento de produção. Há problemas nos portos, mas o maior gargalo logístico é a maneira da produção chegar aos portos. É contraproducente nos valermos de caminhões para percorrer longas distâncias por todo o País no transporte de nossa produção agrícola e mineral. Goiás vai dar um grande salto desenvolvimentista quando os trens passarem a ser o modal logístico de escoamento de nossa produção, pois o custeio no transporte será bem menor, o que refletirá em maior poder de competitividade.

“Democracia deve ser exercida com inteligência”

Esta declaração é do senador Wilder Morais sobre as manifestações populares ocorridas nos últimos dias, em diálogo com o diretor de redação do jornal “O Repórter”, Carlos Tolêdo. A entrevista foi publicada na edição desta semana 

Me sinto orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças

Sobre as manifestações populares ocorridas nos últimos dias, nosso diretor de redação, Cárlos Tolêdo, esteve em um diálogo franco com o senador goiano Wilder Morais (DEM-GO), que diz achar ‘louvável” essas manifestações de protesto que acontecem em todo o país contra os mais variados motivos. Para o parlamentar, esse clamor que vem das ruas é uma “prova de que o País está vivendo uma democracia plena”. Em relação aos manifestantes que têm destruído patrimônio público e privado, Wilder diz que esse grupo é bem menor do que os manifestantes pacíficos e que os baderneiros precisam ser contidos em suas ações de vandalismo, pois estas geram descrédito nas reivindicações. Segundo o senador, “o uso da violência não é uma modalidade de ação compatível para um país que tem uma democracia forte como a nossa.”

Sobre a reunião promovida pela presidente Dilma com os governadores, dia 25, o senador achou-a positiva, mas observa que “o povo está cansado das soluções verbais.” Wilder se diz “orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças.”

Para ele, mais urgente que uma reforma política “é o cumprimento das leis já existentes, mas principalmente a realização de políticas em setores essenciais como saúde, educação, segurança, transporte urbano, entre outros.”

O senador Wilder Morais, além de opinar sobre as manifestações de protesto nas ruas, emitiu outras opiniões ao nosso diretor Cárlos Tolêdo, sobre a palavra da presidenta Dilma, sobre violência e arruaça, redes sociais e reforma política. Veja a seguir os tópicos com as declarações.

Manifestações de protesto nas ruas

Esse grito de descontentamento que vem das manifestações de todos os cantos do Brasil é muito louvável, pois prova que o País está vivendo uma democracia verdadeira. Me sinto orgulhoso em ser parlamentar neste momento tão singular da história do País, pelo fato de as pessoas estarem tomando consciência da importância do engajamento político e consequentemente agindo em busca de mudanças. Entendo que essas manifestações devem ser realizadas de modo pacífico, que elas sejam exercidas de modo inteligente, o que gerará mais força ainda nas reivindicações. Essas manifestações representam um momento novo na história do Brasil; e o poder público de modo geral, sobretudo os representantes do poder executivo de todas as instâncias, devem ouvir esse grito de repúdio. O povo está pedindo (e ele deve ser atendido o mais rápido possível) mais segurança, mais saúde, educação de qualidade, mais competência na aplicação do dinheiro público. O povo se cansou das soluções verbais apresentadas pelo poder público para solucionar os inúmeros problemas sociais e econômicos que se arrastam há décadas. O povo quer ação prática. O que está pedindo é um direito constitucional seu.

Palavras da presidente Dilma

Entendo como importante a presidente Dilma se reunir com governos, prefeitos e líderes dos protestos para buscar solução coletiva para os problemas mais diversos e citados nas manifestações por meio de faixas e cartazes. Essa conjugação de esforços é salutar. Só que os frutos práticos têm de acontecer o mais rápido possível. Mais importante que dizer que o governo federal está atento às vozes democráticas que exigem mudança é promover essa mudança reivindicada, principalmente pelo fato de que está nas mãos da União o controle de um grande volume de recursos financeiros. Vale dizer que 72% das receitas advindas do bolo tributário arrecadado no País vão para os cofres da União, enquanto os 28% restantes ficam para os municípios e estados. Há tempo o país vinha desejando uma mudança de paradigma. E essas manifestações é a materialização desse desejo. Conteúdo

“A educação é a arma mais poderosa…”

Entrevista publicada no jornal Diário da Manhã — 08 de junho de 2013

Sempre que perguntado o que fez o jovem pobre de Taquaral de Goiás, cuja família nem casa própria tinha para morar, se tornar o empresário Wilder Pedro de Morais, o agora senador Wilder Morais (DEM-GO) tem a resposta na ponta da língua: “a educação foi a grande ferramenta de transformação em minha vida”. Ele inclusive cita uma frase do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela para enfatizar a importância da educação: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” Wilder salienta também que sua determinação pesou muito para que ele se formasse em Engenharia Civil na PUC-Goiás. Em 2010, teve início a sua vida política partidária: foi quando se tornou o primeiro suplente de senador de Demóstenes Torres, que, em julho de 2012, foi cassado, e com isso Wilder assumiu a cadeira. Mas antes de assumir o Senado, ele foi secretário de Infraestrutura no Governo Marconi de janeiro de 2011 a julho de 2012. Sobre os boatos de sua intenção de mudar de sair do DEM, o parlamentar alfineta: “Esses boatos existem desde que eu era secretário de Estado; continuo firme no partido, onde tenho o respeito de todos.” Sobre o deputado federal Ronaldo Caiado,  presidente regional do DEM em Goiás, Wilder elogia as qualidades políticas de Ronaldo, as quais, segundo o senador, “lhe servem de sustentação caso ele venha a ser mesmo candidato a governador de Goiás”. Mas ele não esconde seu desejo de ver o DEM e o PSDB envolvidos numa coligação no pleito do ano que vem. Conteúdo