Diário da Manhã entrevista o senador Wilder Morais

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Renato Dias
Da editoria de Política & Justiça
Jornal Diário da Manhã 17 de fevereiro

O senador Wilder Morais revela, com exclusividade para o Diário da Manhã, que Marconi Perillo (PSDB), inquilino da Casa Verde é opção, sim, à presidência da República, quando 2018 vier. O democrata denuncia o mar de lama que se esvai dos cofres da Petrobras para bolsos privados e até para partidos políticos. Cáustico, o homem não descarta a possibilidade de aprovação de impeachment da atual presidente da República, a petista Dilma Rousseff. Empresário de sucesso, ele abençoa a indicação de Ronaldo Caiado para o cargo de líder do DEM no Senado. Mais condena a operação arquitetada por Renan Calheiros (PMDB-AL), com a anuência da bancada do PT, para excluir a oposição da Mesa Diretora do Senado da República. De linhagem moderna, Wilder Morais defende o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais. Preto no branco: ele exorciza o que considera relações promíscuas entre o público e o privado.

Diário da Manhã – O DEM acionou a Justiça contra a eleição à Mesa Diretora do Senado. Qual motivo?

Wilder Morais – O critério da proporcionalidade de composição da Mesa Diretora do Senado, que é algo previsto pela Constituição, foi desrespeitado, foi colocado em segundo plano. Fato que ocorreu para que toda composição fosse composta de parlamentares sintonizados com os interesses do governo federal, que quer apenas parlamentares afinados com ele. Essa eleição foi gol contra, pois ignorou o que consta na Constituição.

DM – O perfil de Ronaldo Caiado como líder da bancada do Senado lhe agrada?

Wilder Morais – O senador Ronaldo Caiado, que é do meu partido, é o parlamentar certo no lugar certo. Além de muito conteúdo intelectual e político, ele possui também algo que é essencial: uma bagagem moral singular, a qual lhe serve de sustentação naquilo que está fazendo enquanto líder do DEM no Senado. Caiado chegou em boa hora àquela Casa de Leis. O Brasil e Goiás, sem dúvida, vão estar bem representados.

DM – Qual a sua análise sobre a crise na Petrobras?

Wilder Morais – A Petrobras vive uma fase de lama sem igual. Desde que me entendo por gente, eu nunca tinha visto um governo federal mais cheio de escândalos administrativos do que o atual. Governo este que tem feito o Brasil viver uma fase de corrupção sem paralelo em sua história. Fato que representa uma nódoa desastrosa à imagem do País, visto estar repercutindo internacionalmente, bem como representa um desastre de grandes proporções aos cofres públicos e à vida econômica do Brasil em aspectos mais variados. A cada dia vem a público mais uma capítulo de corrupção na empresa. No ritmo em que os escândalos estão acontecendo, certamente vai faltar letra no alfabeto para nomear as operações da Polícia Federal na empresa.

DM – Existem elementos para se falar em impeachment de Dilma Rousseff?

Wilder Morais – A palavra impeachment para quem é alvo dela é algo muito ruim, mas para o povo, que pode usá-la na prática, é ótima, visto que a palavra só existe em países que cultuam a democracia. Não tenho conhecimento jurídico suficiente para afirmar que a presidente mereça isso. Mas, diante dos episódios desastrosos e corruptos que andam ocorrendo em seu governo, creio que isso serve de embasamento. Faz-se necessário observar que o impeachment contra a presidente não é algo buscado pela oposição de modo gratuito, não é algo buscado no vento. É o próprio governo (e ele precisa reconhecer isso) que, nas suas atrapalhadas ações administrativas e consequentemente episódios corruptos, que está construindo essa possibilidade para ele. A minha convicção maior é no sentido de que a democracia não pode ser desrespeitada, pois ela põe fim a governos totalitários, onde a vontade da sociedade não pode ser externada.

DM – O que o senhor defende na reforma política?

Wilder Morais – O restabelecimento da democracia no Brasil trouxe mais coisas boas do que ruins. A melhor de todas foi o fim da ditadura. O financiamento privado das campanhas eleitorais está entre as ruins, visto que muitas pessoas sem comprometimento social com os eleitores que o elegeram chegam ao poder e, aí, num gesto traiçoeiro contra seus eleitores, passam legislar ou governar conforme os interesses daqueles que fizeram doações em suas campanhas. Em março, a reforma política vai entrar na pauta do Senado e isso é uma oportunidade de ouro para que tópicos importantes, como financiamento público de campanhas, lista fechada, cláusula de barreira e outros, sejam discutidos no sentido de se promover uma reforma política moralizadora, que ponha fim à farra que hoje existe. Só que, além da promoção de uma reforma séria, também será preciso o envolvimento da sociedade, no que diz respeito a ter uma participação maior na vida política do País. O que caracterizará um exercício salutar da democracia, cujo bem maior refletirá justamente na sociedade.

DM – O financiamento público de campanhas seria uma medida correta?

Wilder Morais – Um ponto final precisa ser dado nesse episódio desastroso ao Brasil, em que empresários e lobistas são beneficiados de diversas formas pelo fato de serem doadores de campanha de determinados candidatos. Fato que engessa o desenvolvimento do País, haja vista que determinados homens públicos ficam a serviço de seus doares. Acredito que o financiamento público promoverá um maior benefício, pois o valor das campanhas devem baixar muito e dar fim aos gastos exorbitantes que as campanhas estão custando. Isso exigirá uma fiscalização mais criteriosa da Justiça Eleitoral, que deve também exigir, para aplicação da transparência, a publicação de prestação de contas em tempo real na internet. A fiscalização do custeio público das campanhas ocorrerá em dois aspectos: quanto ao valor destinado da origem aos candidatos e sobre a aplicação desse dinheiro, que será a tarefa mais complexa, visto que poderá haver gastos fictícios, entenda-se aqui laranjas e notas frias. Nesse processo de fiscalização, devem entrar também como agentes importantes: a Polícia Federal e o Ministério Público, os quais já vêm promovendo um trabalho de grande utilidade ao Brasil.

DM – Qual a sua perspectiva de crescimento da economia nacional para 2015?

Wilder Morais – O cenário que aí está desenhado, infelizmente, não mostra uma luz no fim do túnel. A economia é o grande termômetro para se avaliar a popularidade de um governo. A pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha mostrou um quadro nada agradável para a presidente Dilma e, na raiz disso, estão fatos econômicos nada animadores. Ela que, em dezembro de 2014 tinha 44% de ótimo/bom, agora passa por situação contrária nos percentuais. O governo federal está travado, não consegue dar um rumo ao País, não consegue diminuir o custo Brasil (que é uma grande pedra no meio do caminho do desenvolvimento), não consegue enxugar a máquina pública (leia-se excessos de ministérios, para os quais muitos nomeados chegaram ao cargo por conveniência partidária, quando o certo deveria ser o critério técnico).

DM – Como o senhor viu a nomeação e as primeiras medidas de Joaquim Levy e de Kátia Abreu?

Wilder Morais – São duas pessoas capacitadas, mas acima deles está a presidente Dilma, que tem sido o grande obstáculo à boa administração do País. Como precisava vencer a eleição de 2014, ela agiu ardilosamente: deixou que a eleição, o Natal e o ano-novo passassem para aumentar a conta de luz. E olha que lá trás ela foi aos veículos de comunicação anunciar ruidosamente que diminuiria a conta de luz dos brasileiros. O preço dos combustíveis subiram assustadoramente. Para consertar seus tropeços administrativos, o governo infelizmente comete outro por sinal muito injusto: está buscando a solução justamente no bolso de quem não tem nenhuma culpa das trapalhadas administrativas: o povo. A inflação está aí muito tempo, mas que vem sendo maquiada com arranjos contábeis dos técnicos de seu governo. Arranjos estes que estão ruindo, sendo desmascarados. Tanto é verdade que essa desaprovação da presidente divulgada pelo Datafolha é um reflexo explícito disso.

DM – Qual o melhor caminho para o DEM em Goiânia no ano de 2016?

Wilder Morais – O partido ainda não se reuniu para discutir que rumo tomar em 2016. A discussão desse assunto ainda vai acontecer por esses dias e envolverá a participação de todos os membros do partido.

DM – Como o senhor viu a reforma administrativa de Marconi Perillo?

Wilder Morais – Vejo-a como salutar à saúde econômica do Estado. Essa reforma, que nem dois meses tem de realizada, com certeza alcançará, ao longo de toda a gestão, o propósito de eficiência da máquina pública que levou o governador Marconi a realizá-la. O governo federal, assim como já está fazendo também o prefeito Paulo Garcia, deveria promover também uma reforma semelhante à que ocorre no Estado de Goiás. A conveniência política não pode (e não deve) sustentar a quantidade de ministérios que há. O preço disso é muito caro ao país, pois engessa o seu desenvolvimento, faz com que o governo fique mais voltado às conveniências partidárias do que à conveniência da boa gestão administrativa, que é a geradora de desenvolvimento socioeconômico.

DM – Marconi Perillo é boa opção para 2018 ao Palácio do Planalto?

Wilder Morais – O governador Marconi ainda nem externou essa vontade, afinal o seu governo tem apenas um mês e meio. No entanto, é preciso reconhecer que ele conseguiu ser eleito por quatro vezes a governador. E isso, no entanto, é um grande mérito político que, sem dúvida, o credencia ao pleito de 2018. Fato que poderá ter uma definição ainda melhor após suas ações administrativas neste seu novo governo.

DM – O senhor disputa a reeleição em 2018?

Wilder Morais – Ainda está cedo para pensar nisso. O que estou fazendo mesmo é trabalhando, apresentando projetos de leis voltados a questões essenciais no país, como crise energética, crise hídrica. Na semana passada, por exemplo, alterei um projeto de lei meu: mudei seu conteúdo de maneira a obrigar não só a união (conforme era no primeiro projeto), como também os estados que busquem recursos federais para construção de prédios, a empregarem nos prédios sistemas de aproveitamento de água de chuva para realização de atividades secundárias, ou seja, que não demandem a utilização de água tratada, que é a utilizada para consumo. Não podemos ficar usando água tratada em descargas de banheiro, na lavagem de calçadas e de chão, na rega de jardins e em outras atividades.

DM – Qual a sua análise de Paulo Garcia?

Wilder Morais – As dificuldades de seu governo são muitas. Mas pelo que tenho acompanhado pelos jornais, ele deu início a uma série de ações para resolver essas dificuldades. Esse processo de enxugamento da máquina pública criado por ele já representa algo de grande relevância, pois assim certamente vai sobrar mais recursos para que ele aplique em setores de grande urgência na Capital.