Adeus ao DEM e vida nova no PP para 2018

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Entrevista publicada pelo jornal Diário da Manhã – 8 de Setembro de 2015

Entrevista Wilder Morais

Renato Dias
Da Editoria de Política e Justiça

O senador Wilder Morais deve deixar o Democratas [DEM] para ingressar no Partido Progressista {PP], dia 14 de setembro. A operação é para o cenário de 2018, em Goiás. A equação já está fechada. Apesar disso, o empresário admite que a crise que grassa o tecido econômico e social do Brasil faz a economia do País encolher. Nem o pacote elaborado pelo presidente do Congresso Nacional, o peemedebista Renan Calheiros [AL], para conter o incêndio cujas labaredas ameaçam a sociedade e o Estado, lhe satisfaz. “Crise está que vai demandar ações estruturais da presidente, as quais devem ser urgentes, pois enfermidade econômica do Brasil é séria é exige uma medicação precisa. Este é o grande desafio de Dilma Rousseff”, dispara. Empreendedor, Wilder Morais admite que existe amplo espaço na arena política nacional para viabilizar um projeto do atual inquilino da Casa Verde, o tucano Marconi Ferreira Perillo Júnior.
Leia a íntegra da entrevista:

DM — Qual a sua análise sobre o cenário econômico brasileiro?

Wilder Morais — O Brasil está encolhendo economicamente. O País está na sua pior crise das últimas duas décadas. Dizer que nossa crise é reflexo de crise internacional, como setores do governo andam dizendo, não justifica. É pura divagação. A razão dela está dentro do governo federal, que não tem um norte definido, que não elege prioridades. Não se percebe claridade nas ações do governo. O ajuste fiscal que se busca para conter a crise é de grande urgência e ele deve envolver um esforço coletivo de todos setores. O governo federal, no entanto, deve dar a entender que realmente tem esse propósito. A imprensa divulgou que a presidente Dilma pretende eliminar dez ministérios e tomar outras medidas para enxugar a máquina. A economia resultante desse enxugamento não significa muita coisa perto do volume de recursos necessários para consertar a vida econômica do país, mas é um pequeno indicativo de que há vontade política do governo em solucionar a crise. Crise está que vai demandar ações estruturais da presidente, as quais devem ser urgentes, pois enfermidade econômica do Brasil é séria é exige uma medicação precisa. Este é o grande desafio da presidente.

DM — Como o senhor viu o projeto de ajuste formulado por Renan Calheiros e entregue a Dilma Rousseff para estancar a crise?

Wilder Morais — Sem dúvida representa uma alternativa interessante para se resolver a crise, mas não podemos nos esquecer de que se trata de projeto. E projeto é tinta no papel. Grande parte do tempo dos parlamentares é tomado na discussão de projetos importantes para o desenvolvimento do país. Eu, por exemplo, apresentei inúmeros projetos no Senado, voltados a vários setores, sobretudo no aproveitamento de fontes alternativas para geração de energia, e eles ainda estão em discussão na Casa. As 27 propostas anticrise apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, se viabilizadas (e torço para que isso ocorra), mexerão com três grandes eixos importantes: melhoria do ambiente de negócios, equilíbrio fiscal e proteção social. Agora é promover o essencial, que são as ações para viabilizar essas propostas.

DM — Existe base jurídica para o impeachment de Dilma Rousseff?

Wilder Morais — Não sei dizer se há embasamento jurídico para o impeachment. O que percebo é que existe no país um grande descontentamento do povo para com a gestão da presidente Dilma, a qual é marcada por muitos tropeços administrativos e escândalos de corrupção. Pesquisa realizada pela CNT/MDA no mês passado mostrou o quanto a sua aprovação popular está baixa: 7,7%. Essa queda brusca de popularidade da presidente aconteceu entre as pessoas com baixa renda familiar e com baixo grau de instrução. Ou seja, justamente entre as pessoas onde ela vinha gozando de popularidade. O cenário está crítico, e olha que a presidente está apenas no oitavo mês do seu segundo governo. Ela já passou por um primeiro governo e só agora veio reconhecer que não sabia da crise econômica pela qual passava o país durante a eleição do ano passado. Esse mea-culpa dela não serve de argumento. Crise econômica é resolvida com ações.

DM — Marconi Perillo teria espaço a um projeto nacional em 2018?

Wilder Morais — O governador Marconi é um gestor competente. E isso é um aspecto essencial para sustentar essa busca de espaço num cenário nacional. O estágio de desenvolvimento que existe hoje no Estado é fruto do seu trabalho incansável. A volta de Marconi ao Governo de Goiás nas eleições de 2014 representa o reconhecimento do povo goiano em relação ao trabalho prestado em suas gestões anteriores. O enxugamento que promoveu na máquina pública estadual, reduzindo a quantidade de órgãos de seu governo (fato que deveria ser copiado pela presidente Dilma), prova a sua preocupação com a crise econômica e sobretudo adaptação à nova realidade.

DM — A sua ida para Partido Progressista já faz parte de sua agenda política e eleitoral?

Wilder Morais — Sim. No dia 14 deste mês vai acontecer o evento de minha filiação. Com isso, já que meu único objetivo é buscar a reeleição 2018,estou recorrendo uma alternativa que julgo ser mais pragmática para que isso seja viabilizado. Minha saída do DEM não se dá por desavença alguma com ninguém do DEM. Tenho uma relação boa com todos membros do partido. Minha relação com o senador Ronaldo Caiado é muito boa. Tenho uma grande admiração por ele enquanto político e pessoa. À frente da presidência do PP, vejo uma maior probabilidade do meu projeto político ser concretizado. Reconheço que o 2018 ainda está longe, mas vejo como necessário, desde já, começar a trabalhar um cenário mais adequado ao que busco para minha carreira política.

DM — É possível Wilder Morais ocupar a vaga de vice na chapa de José Éliton em eventual disputa ao governo de Goiás?

Wilder Morais — Ainda não tomei conhecimento dessa possibilidade. Não vieram a mim contá-la. Volto ao que disse anteriormente: “2018 está longe. Vou deixar as conversas e as circunstâncias fluírem para que eu defina um norte para minha carreira política”. O que posso assegurar com certeza é que o meu foco político está voltado à reeleição.

DM — Como anda seu projeto de lei voltado à energia solar?

Wilder Morais — É inconcebível o Brasil não estar utilizando a contento a riqueza de fontes renováveis que possui para gerar uma energia limpa. A Alemanha, que não tem a incidência de sol que temos, está na frente do Brasil na geração de energia solar. Na verdade, tenho mais de um projeto voltado ao uso da luz solar e do vento para geração de energia. Meu projeto de maior destaque é o Projeto de Lei do Senado 167/2013, o qual inclusive já foi aprovado pela Comissão de Infraestrutura do Senado. Esse projeto busca incentivar a desoneração de impostos relacionados à aquisição de placas fotovoltaicas para a geração de energia e prevê também a isenção do imposto de importação para componentes fabricados em outros países até que no Brasil seja confeccionado um produto equivalente ao importado. A agência de notícia americana SeeNews Renewables, que é voltada à divulgação de matérias de negócios e inteligência para o setor de energia renovável, divulgou esse meu projeto por entendê-lo como avançado.

DM — Que objetivo tem a Subcomissão Permanente de Acompanhamento do Setor de Mineração, que é presidida pelo senhor? Que leitura faz da primeira audiência pública realizada sobre o tema?

Wilder Morais — O propósito da subcomissão é trabalhar na realização de análises e providências legislativas de tanto carece o setor da mineral. A falta de uma legislação atualizada para o segmento faz com que bilhões de dólares deixem de circular no Brasil. O setor mineral imprescindível para nossa economia; as mais variadas indústrias — do agronegócio à siderurgia — estão ligadas à mineração. Na primeira audiência, que contou a participação significativa de representantes do segmento no país, colhemos as sugestões deles, por sinal bem pertinentes com a modernização do novo marco regulatório. A subcomissão está debruçada sobre o assunto de maneira especial, principalmente para com os produtos que fazem parte das commodities minerais, visto que estas, ao contrário das commodities agrícolas, são bens esgotáveis. Fato que exige uma legislação voltada a esse aspecto de modo que essas commodities sejam utilizadas de maneira economicamente inteligente.

DM — Qual crise no Brasil é a maior: a econômica ou política? Que saída o senhor vê para essa crise vivida pelo Brasil?

Wilder Morais — Há, na crise brasileira, os dois ingredientes. Como o governo federal tem se mostrado um gestor frágil na política econômica e estar escândalos em sua administração, isso é a brecha para que a crise política ganhe espaço. Só que, num momento de crise como este, a solução não virá de ações políticas, mas sim de ações apartidárias, em que o Brasil seja a prioridade de todos os partidos.

DM — Que leitura o senhor fez das manifestações de 16 de agosto?

Wilder Morais — O grito das ruas está entrando num ouvido do governo federal e saindo no outro. As manifestações de 16 de agosto são mais um alerta do povo sobre o seu descontentamento com a desordem econômica que tomou conta do Brasil. Reconhecer, como fez a presidente Dilma, que a democracia do país permite as pessoas se “manifestarem, mesmo contra presidente da República, sem sofrer quaisquer consequência”, é, sem dúvida, algo louvável. Mas isso, convenhamos, é uma reposta evasiva. Não é isso que o povo quer da presidente. Ela foi escolhida para governar o Brasil e não consegue empreender tal coisa; e isso representa um outro tipo de “consequência” para o povo, desemprego, inflação; e, na ponta disso, o descontentamento das pessoas por perderem qualidade de vida. Consequência esta que faz o povo se sentir oprimido pela crise sem igual e assim, no exercício do seu direito democrático, vai para as ruas pedir novos rumos para o país. Fato que nada tem a ver com os motivos que o governo aponta nos manifestantes: “pessimismo e intolerância”. O que ocorre é simplesmente frustração do povo com um governo que prometeu muito e não está cumprindo.